Carlos Costa (*)

 

À Rosalina Arantes (MG), símbolo de  luta em favor da recuperação contra a dependência química de seu filho.

 

Maltrapilhos, abandonados pelo Governo Federal, seres humanos doentes em forma de crianças, jovens, adolescentes e adultos dependentes de crack e outras drogas lícitas e ilícitas perambulam pelas ruas do Brasil, à espera de algum programa de tratamento governamental contra o mal que já virou uma epidemia nacional, uma vergonha nacional e mundial, mas os políticos não ligam e nem querem saber do problema porque viciados, embora possuidores de títulos eleitorais, não votam, não elegem ninguém e, nas estatísticas oficiais não passam de meros números aleatórios, sem qualquer importância!

 

Desprotegidos pela sociedade, pelo governo, pelos políticos e também por falta de políticas públicas, com o oferecimento de clínicas e hospitais compostos por equipes multiprofissionais, todos são abandonados à própria sorte e os seus problemas, que são de toda a sociedade brasileira, também. Mas antes de deixarem de votar, todos os dependentes químicos eram seres humanos, trabalhadores, mas, devido suas fraquezas interiores por motivos diversos que não ter importância, com a ajuda dos traficantes que aproveitam suas fraquezas psicológicas para viciá-los, se transformaram em dependentes químicos, doentes, esperando tratamento médico e se amontoando em cracolândias da vida; tornaram-se indesejáveis, fizeram cair o preço dos imóveis nos locais em que perambulam e aumentam as estatísticas da violência pois para continuar alimentando seus vícios ao crak, maconha, cocaína ou álcool, roubam até da própria família , matam, estupram, se prostituem e o Governo Federal se omite totalmente por não implantar um programa sério de enfrentamento às drogas, para  desintoxicá-los e devolvê-los ao convívio social em um processo lento, demorado e que sempre têm recaídas, pois são piores do que a entrada no vício.

 

 

Enquanto isso, como um cartão postal social do Brasil, os dependentes químicos do país desfilam suas mazelas sociais pelas ruas, com sandálias de dedos e mãos totalmente queimadas pelas pedras de crak que, ao fumar, acende e apaga como uma lanterna; com seus narizes entupidos de cocaína cheirada; seus braços totalmente picados pelas drogas injetáveis e seus corpos mutilados pela violência policial de seguidas prisões. Só que todos são apenas vítimas inocentes de traficantes e só esperam mesmo pelo tratamento contra seus vícios, mas sem custos para os doentes porque hoje somente as ONGS e Igrejas Evangélicas e Católica tratam desse mal social, desse flagelo que embarga a todos e embaraça às autoridades públicas, a um custo muito elevado para as famílias.

 

Será Deus me chamará desse mundo material antes de ter a oportunidade e a alegria de aplaudir um Programa Governamental de enfrentamento ao “mal do século” que é a dependência química? Será que ainda verei dependentes químicos entrando em Escolas, Igrejas ou outros lugares, totalmente recuperados declarando que “fui um dependente químico, o Governo me tratou em entidades especializadas públicas, sem custo para meus familiares e hoje não posso nem chegar perto de drogas e nem de meus  antigos colegas viciados” como todos eles foram um dia? Será que um dia qualquer, de uma época qualquer que eu ainda esteja vivo, poderei ver e ter esse sentimento de brasilidade? É meu sonho; mas, não minha certeza!

(In blogspot.com.br)