André Valério Sales

Aluno Especial do Doutorado

em Sociologia (PPGS/UFPB)

 

 

I. INTRODUÇÃO:

 

            A motivação deste artigo partiu do convite da União Brasileira de Escritores/RN para participarmos de uma Mesa-Redonda, a ocorrer em outubro de 2012, sobre o tema da universalidade da obra do etnógrafo potiguar Câmara Cascudo (1898-1986), a ser constituída por: Anna Maria Cascudo (filha dileta do mestre), Diógenes da Cunha Lima (Presidente da Academia de Letras do RN) e eu, como estudioso premiado neste tema e com vários livros publicados sobre o célebre professor em questão.

            Decidi que minha parte na mesa, transformada no presente texto, deveria trazer como termos para comparação uma discussão sobre os escritos singulares e universais de Luís da Câmara Cascudo.

            Em 2009, no Mestrado em História da UFRN foi defendida uma dissertação cujo autor demonstra não entender o porquê de Câmara Cascudo ser um homem-memória, como escreve Jacques Le Goff em seu livro História e Memória (1990: 371); o escritor da dissertação demonstrava não compreender porque Cascudo foi um documento-vivo em sua época, e porque foi tornado monumento pelos seus amigos e pela sua cidade natal! De acordo com a dissertação, o pesquisador parece acreditar que é um “erro” ou uma “falha” de nós potiguares, de modo geral, monumentalizamos o nosso autor maior, Câmara Cascudo (maior em quantidade de livros e crônicas publicadas, e em termos de suas contribuições para a preservação da Cultura e da cultura popular, tanto potiguar, quanto brasileira, moura, judia, etc.).

Logo de início, afirmo que minha posição é a de que essa monumentalização da figura e da obra de Luís da Câmara Cascudo é absolutamente legítima.

            O objetivo aqui, portanto, é comprovar que tal monumentalidade não é um erro, ao contrário, Cascudo é e deve ser monumentalizado porque tudo o que ele escreveu sobre nossa terra e outras terras, outros continentes (estudando sempre as culturas de Portugal, África, etc.), tem validade, tem valor, e é útil a muitas pessoas, muitos pesquisadores, de diversas áreas do saber, como História da Cultura, Sociologia da Cultura, dentre outras.

            Apresentando alguns exemplos atuais que comprovem a universalidade e a importância da obra cascudiana na contemporaneidade, lembro que a Revista de História da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro: Sabin) cita textos e livros de Cascudo, lembrando apenas dos dois anos mais recentes, nos exemplares de: outubro de 2010; fevereiro de 2011 (em três lugares diferentes na mesma Revista); julho e agosto de 2011; e outubro de 2011 (por três vezes, em diferentes espaços, inclusive em um artigo sobre a Inquisição e os Judeus; e noutro, sobre a História da Alimentação). Já em 2012, a obra de Câmara Cascudo é citada nos exemplares de janeiro (em artigo sobre o cordelista paraibano Leandro de Barros), fevereiro, julho, agosto (em dois lugares diferentes; num deles, em artigo do “imortal” da ABL, Ivan Junqueira, sobre o personagem Dom Quixote, de Miguel de Cervantes) e em setembro também.

Afora estes exemplos, no livro preparado pelo Governo Federal (Silva, 2008), voltado especialmente para o ensino de cultura popular em todas as escolas do Brasil (Cultura Popular e Educação: Salto para o Futuro, Brasília: MEC/TV Escola), dos 27 textos sobre o tema, a ser trabalhado pelos professores em sala de aula, 8 utilizam Câmara Cascudo como referência. Corroborando uma anterior observação de Margarida Neves (2002), mesmo que os textos escritos por Cascudo especificamente voltados para a História (alguns deles de caráter singular, de interesse restrito) tragam ainda o ranço positivista e rankeano, advindos da História clássica – quando se buscava nos documentos históricos “a verdade”, sem questioná-los – segundo Neves é “sem dúvida como estudioso da cultura e das tradições populares que Cascudo merece ser lido”, e precisamente esses “textos que se referem ao povo e suas práticas e à história das coisas miúdas, ao anedótico, que em uma de suas crônicas chamou de micro-história são, juntamente com o sempre consultado Dicionário do Folclore Brasileiro, os mais interessantes e instigantes para o historiador de hoje” (grifo original).

Sabemos que Câmara Cascudo foi um pesquisador, incansável, que nunca deixou que os estereótipos impostos pelas elites de nosso país à Cultura Popular e aos estudiosos dela, conhecidos até hoje sob o bordão pejorativo de “folcloristas”, impondo-os sempre que possível às margens da História, o impedissem de levar adiante seu imenso trabalho etnográfico-antropológico.

            Mesmo assim, é sob o termo “folclorista que Cascudo ficou rotulado em nível nacional e internacional, e nós, hoje, não podemos fugir disto. É um fato consumado pela História! Câmara Cascudo é conhecido, junto com Mário de Andrade, como um dos “dois maiores folcloristas [brasileiros] do século XX” (Moraes, 2010: 27). As recomendações da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), desde a sua 25ª Reunião da Conferência Geral, em 1989, são, dentre outras: Folclore e Cultura Popular são equivalentes; “Folclore é o conjunto das criações culturais de uma comunidade baseado nas suas tradições, expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social; Constituem-se fatores das manifestações folclóricas: Aceitação Coletiva, Tradicionalidade, Funcionalidade e Dinamicidade” (Severino Vicente, In. Alberto, 2006: 28; ver também: D’Amorim e Araújo, 2003: 16).

            Desse modo, tanto o Dicionário de Língua Portuguesa do lusitano Caldas Aulete (2004: 850) apresenta Cascudo como “Folclorista e etnólogo potiguar de reputação nacional”, quanto o Dicionário de Antonio Houaiss (2004: 813) afirma que Câmara Cascudo foi “jornalista, pesquisador e autoridade nacional em folclore, desde cedo se dedicou às pesquisas de campo sobre as tradições, hábitos, crendices e superstições nas áreas rurais e urbanas. Na África, pesquisou sobre a influência africana na alimentação brasileira, de que resultou a História da Alimentação no Brasil”.

            Por tudo o que foi aqui exposto, determinei que para tratar da contribuição da obra do professor Câmara Cascudo no tocante às suas dimensões singular e universal, que vem contribuindo até hoje para o conhecimento em diversas áreas do saber, é necessário classificar ou dividir o tema em duas partes, em duas categorias essenciais, a singularidade e a universalidade, com a finalidade de distribuir o assunto no texto de modo que ele venha a ser entendido pelo leitor da melhor forma possível. Desse modo: 1º) trato de escritos cascudianos de caráter singular, por exemplo, quando referem-se à cidade do Natal ou ao Estado do Rio Grande do Norte; e 2º) discuto mais amplamente os escritos universalistas elaborados por Cascudo.

            O assunto em questão será então trabalhado a partir dos conceitos de singularidade e universalidade (ver Sales, 2012a) com base nos estudos do filósofo húngaro Georg Lukcás (1885-1971), no seu livro Introdução a uma Estética Marxista: Sobre a Categoria da Particularidade, de 1959. A ênfase de meu discurso recai sobre os interesses da História e da Sociologia. O contato de Lukács com a Sociologia não era superficial; ele foi amigo dos sociólogos Georg Simmel, Max Weber, Karl Mannheim, Tönnies, dentre outros (Frederico, 1998: 9); participou dos cursos de Simmel na Universidade de Berlim, entre 1909-1910, chegando a ser “o aluno favorito de Simmel e assíduo freqüentador da sua casa” (Paulo Netto, 1981: 11); todos estes autores participavam de grupos de estudo (Schiur – seminário particular), aos domingos, nas casas uns dos outros.

Voltando ao nosso interesse aqui, a obra de Cascudo será dividida, para melhor compreensão e explicitação do tema, a partir destes dois conceitos explicitados com maestria por Lukács, o singular e o universal.

            Para desenvolver o assunto aqui proposto, envolve iniciá-lo pelos trabalhos de Cascudo que obedeçam à dupla classificação que elegi: há trabalhos de caráter universal, que versam sobre questões de nível nacional ou internacional; e outros, que têm alcance singular, abrangendo, segundo o exemplo, estudos sobre a cidade do Natal, berço do referido etnógrafo, sobre outros municípios potiguares, sobre o Estado do Rio Grande do Norte, etc.

 

II. ABRINDO UM PARÊNTESIS:

 

            Antes de adentrar ao tema em si, é preciso abrir um parêntesis a fim de citar quatro opiniões críticas acerca da obra cascudiana, procedentes de quatro autores diferentes, que foram também os impulsionadores desse meu escrito. Noutras palavras: foi a partir das citações que faço a seguir, sem questionar nenhuma delas, já que explico suas graves falhas em um de meus livros (ver Sales, 2007a), que decidi escrever esse trabalho:

a) Em seu livro A Invenção do Nordeste e Outras Artes, Albuquerque Júnior imagina que Câmara Cascudo adota uma “visão estática” do elemento folclórico; que seus trabalhos estão “longe de fazer uma analise histórica ou sociológica do dado folclórico”, e são apenas, segundo Júnior, “verdadeiras coletâneas de materiais referentes à sociedade rural, patriarcal e pré-capitalista do Nordeste”. Ou seja, nesta errônea avaliação de Albuquerque Júnior (2006: 77), Cascudo e outros “folcloristas” mais: “Embora se apresentem como defensores do material folclórico, são paradoxalmente estes [mesmos] folcloristas os seus maiores inimigos e detratores, ao marginalizá-lo, impedindo a criatividade em seu interior, cobrando a sua permanência ao longo do tempo, o que significa sua obsolescência” (ver minha crítica aos deslizes cometidos por este tipo de análise em: Sales, 2007a: 102-109, 116 e 139-147).

b) Já Andrea Chiachi, em seu texto “Eles, os Outros: Considerações sobre Identidades e Diversidades Culturais” (2004: 71), declara que o que “está ausente” nos estudos de Folclore, assim como também “de boa parte da obra de Câmara Cascudo”, é “o Brasil das relações de trabalho, ou seja, o Brasil das classes sociais”. A crítica que aos erros de avaliação deste autor já foi feita por mim antes (Sales, 2007a: 98 a 101).

c) Raimundo Arrais, numa seleção de crônicas cascudianas dos anos 1920, material que o próprio Arrais ajuda a divulgar, dissertando sobre um trecho da crônica de Cascudo intitulada “Larico Pellado”, escrita em 1928, afirma que, em termos de História, nesse texto cascudiano da juventude já “aparecem as grandes linhas que orientam a abordagem do passado por Câmara Cascudo: a sociedade é esvaziada de suas tensões, seu movimento, suas rupturas”, e em se tratando de Folclore e Etnografia, Arrais ainda critica – equivocadamente – que nesta crônica citada, “em contrapartida”, o “tratamento folclórico” do assunto por Câmara Cascudo demonstra que ele “concebe o passado da cidade [do Natal] como o domínio de uma cultura popular imobilizada, esvaziada de toda manifestação dissonante, na qual o folclorista [Cascudo] nada mais vê senão uma doce ingenuidade” (Arrais, 2005: 44). A equivocada crítica deste autor já foi avaliada anteriormente por mim (Sales, 2007a: 108 a 117).

d) Hilário Franco Júnior analisa, por sua vez, o livro de Cascudo: Contos Tradicionais do Brasil (também publicado em francês), no Dicionário Crítico – Câmara Cascudo (2003), organizado por Marcos Silva. Em sua crítica, Franco Jr. observa que Cascudo produziu “uma ampla obra”; recolheu, sistematizou e interpretou materiais etnográficos “muito vastos e dispersos”; era “dono de uma enorme erudição”, porém, de uma erudição “predominantemente livresca, fato curioso para folcloristas”, e ainda afirma, erroneamente, que Cascudo “não deixou o Brasil, salvo uma única pesquisa de campo na África portuguesa, em 1963”. E ainda acrescenta Franco Jr. “pode ser dito” de Cascudo que ele foi “um etnógrafo de gabinete”, e conclui: Cascudo “pode ser dito” também como sendo “pouco aparelhado lingüisticamente” (2003:47). As avaliações incorretas deste autor foram por mim esclarecidas, em detalhes (Sales, 2007a: 79 a 88), além de ter publicado um livro somente sobre o preparo cascudiano: Câmara Cascudo e seu erudito preparo lingüístico no romance “Canto de Muro” (Sales, 2012).

            Considerando que fica um tanto claro que nenhum dos quatro autores citados tenham ainda conseguido entender a importância da vida e obra de Câmara Cascudo; além da distância psicológica que eles mantêm de uma obra que não foi produzida por conterrâneo seu; e tendo em vista que quem não precisou ainda trabalhar nenhuma temática em que a obra de Cascudo lhe seja valiosa, em algum ponto, também não consegue entender a importância de seus escritos (seja para tratar do lado singular de sua obra, seja para trabalhar com outros temas mais universais – como, por exemplo, Folclore, etnografia brasileira, africana, estudos judaicos, etc.); as críticas acima aludidas me moveram a escrever essa classificação, sobre alguns livros de Cascudo, além de citar outros autores que escreveram sobre a contribuição de suas pesquisas, com a finalidade de demonstrar o valor dessas investigações, tanto em uma dimensão singular à nossa cidade do Natal e ao nosso Estado do Rio Grande do Norte, quanto em sua dimensão universalista, que traz elementos que ajudam na produção do conhecimento em várias áreas do saber acadêmico, como, por exemplo, nas já citadas História e Sociologia da Cultura.

 

            Começo então a tratar do assunto que é central nesse trabalho: fazendo citações à obra de Câmara Cascudo que demonstram as dimensões singulares e universalizantes de diversos livros seus. A partir de agora, vou fazer comentários de trabalhos de sua lavra que possuem apenas um caráter singular, passando em seguida às de caráter universal, buscando, com essa diferenciação, proporcionar um melhor entendimento tema:

 

III. Singularidade:

 

            O Dicionário Houaiss, considerado por muitos como “o melhor” do Brasil, conceitua o universal enquanto algo que é “comum, relativo ou pertencente ao universo inteiro”, algo “comum a todos os componentes de determinada classe ou grupo” (2009: 1907); e o singular refere-se àquilo que “se aplica a um único sujeito” (id.: 1750).

            Já de acordo com o filósofo escolhido para definir o singular e o universal, Georg Lukács, é preciso então esclarecer que existe uma relação de complementaridade entre e singularidade e a universalidade. As duas são noções correlatas, há reciprocidade entre elas, porém, são coisas bastante diferentes. Há uma “tensão” entre estes dois pólos, e é uma tensão “constantemente” transformada “em ato” (Lukács, 1978: 111). Isto significa que o universal só existe a partir das diversas partes singulares que o compõem; do mesmo modo, tudo que é singular é composto de centelhas do universal

            Segundo a classificação por mim elaborada, os livros escritos por Câmara Cascudo que possuem caráter singular, referentes, portanto, a temas natalenses ou norte-rio-grandenses, de modo geral, e demais livros, lançados por outros autores, que se utilizam da obra cascudiana, são:

 

1. Estudos sobre a História do Rio Grande do Norte:

 

*Luís da Câmara Cascudo: História do Rio Grande do Norte. Rio de Janeiro: MEC, 1955.

 

A partir desta contribuição, vários autores utilizaram esse livro de Cascudo na construção de outros saberes, sobre diversos temas, por exemplo (em ordem aleatória):

 

- José Lacerda Felipe e Edilson Carvalho: Atlas Escolar do Rio Grande do Norte.

- José Lacerda Felipe, Edilson Carvalho e Aristotelina Rocha: Atlas Escolar, Rio Grande do Norte: Espaço Geo-Histórico e Cultural.

- Tarcísio Medeiros: Aspectos Geopolíticos e Antropológicos da História do Rio Grande do Norte.

- Olavo de Medeiros Filho: Aconteceu na Capitania do Rio Grande e Notas Para a História do Rio Grande do Norte.

- Carlos Henrique Noronha: Rio Grande do Norte: Tempo & Espaço.

- Fátima Martins Lopes: Índios, Colonos e Missionários na Colonização da Capitania do Rio Grande do Norte.

- Marlene Mariz & Luiz Eduardo Suassuna: História do Rio Grande do Norte.

- Denise Monteiro: Introdução à História do Rio Grande do Norte.

- Sérgio Trindade & José Albuquerque: Subsídios para o Estudo da História do Rio Grande do Norte.

- Bernard Alléguède: Os Franceses no Rio Grande do Norte.

- Eduardo Gosson: Sociedade e Justiça: História do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte.

- Márcia Oliveira & Maria Cristina Araújo: Rio Grande do Norte: Geografia e Paisagens Potiguares.

- Tarcísio Gurgel et al.: Introdução à Cultura do Rio Grande do Norte: Literatura, Artes Plásticas, Folclore.

 

2. Estudos sobre Etimologia e Toponímia Potiguar:

 

*Câmara Cascudo: Nomes da Terra: Geografia, História e Toponímia do Rio Grande do Norte. Natal: FJA, 1968.

 

            Este livro é tão citado, por tantos autores potiguares, singularmente no que diz respeitos à toponímia e história de vários municípios do Rio Grande do Norte, que não cabe aqui tantos nomes de autores e livros. Mais adiante, damos alguns exemplos de municípios cuja História foi estudada por Cascudo em seu Nomes da Terra.

 

3. Estudos sobre o Folclore Norte-Rio-Grandense:

 

            Neste sentido, a obra cascudiana inspirou:

- Deífilo Gurgel: Espaço e Tempo do Folclore Potiguar.

- Veríssimo de Melo: A Obra Folclórica de Cascudo como Expressão do Movimento Modernista no Brasil.

 

4. Estudos sobre a “Ditadura de 1964” no Rio Grande do Norte:

 

            Câmara Cascudo é lembrado por Mailde Pinto Galvão, no artigo: “Uma Experiência de Cultura Popular” (In. Isaura Rosado Maia: Cascudo: Guardião das Nossas Tradições), como tendo sido ele um grande ajudador da Cultura Popular na época da gestão do Prefeito de Natal, depois cassado, Djalma Maranhão (1915-1971), de quem ela foi secretária.

 

5. Estudos da História e Arquitetura da Cidade do Natal:

 

 

*Câmara Cascudo: História da Cidade do Natal. 3ª ed. Natal: IHG/RN, 1999.

 

            Este denso e precioso livro inspirou;

 

- Carina Melo & Romero Silva Filho: Centro Histórico de Natal.

- Jeanne Nesi: Natal Monumental (um livro clássico) e Caminhos de Natal.

- Pedro de Lima: Luís da Câmara Cascudo e a Questão Urbana em Natal.

- Marcos Silva: Câmara Cascudo, Dona Nazaré de Souza & Cia (Guerras do Alecrim).

- Raimundo Arrais: Crônicas de Origem: A Cidade de Natal nas Crônicas Cascudianas dos Anos 20 e Arrais et al.: O Corpo e a Alma da Cidade: Natal entre 1900 e 1930.

 

6. Estudos da História da Colaboração de Natal na 2ª Guerra Mundial:

 

            *Câmara Cascudo: História da Cidade de Natal. 3ª ed. Natal: IHG/RN, 1999.

 

            A importante participação de Cascudo na defesa civil de Natal, na época da 2ª Guerra, dentre outros detalhes da história daquela época, são citados por:

 

- Lenine Pinto: Os Americanos em Natal.

- Flávia de Sá Pedreira: Chiclete eu Misturo com Banana: Carnaval e Cotidiano de Guerra em Natal (1920-1945).

- André Sales: 2ª Guerra Mundial: o torpedeamento do Cruzador Bahia pelos nazistas e a história de um herói potiguar.

 

7. Estudos sobre a História de Municípios do RN:

 

Câmara Cascudo contribuiu para pesquisas sobre vários municípios do Rio Grande do Norte; incontáveis, tais como: Mossoró, Santana do Matos, Goianinha, Boa Vista, Martins, Arez, dentre vários outros, principalmente em seus livros História do Rio Grande do Norte e Nomes da Terra. É desnecessário, portanto, citar aqui esta enorme quantidade de autores potiguares que se referem a Cascudo em seus respectivos livros.

 

8. Biografias e Críticas de Pesquisadores acerca de Câmara Cascudo:

 

            Não fosse a consagração nacional e internacional de Cascudo (e seu casamento com Dhália Freire), esses artigos e livros não existiriam; como por exemplo:

 

- Jorge Amado: “Mestre Cascudo, Tão Jovem”. In. Província 2.

- Pedro Bloch: “Pedro Bloch Entrevista Câmara Cascudo”. In. Província 2. (Publicado também na Revista Manchete, nº 619, de 29/2/1964).

- Dorian Gray Caldas: “Cascudo: o Universal e o Particular”. In.. MAIA, Isaura A. Rosado (Org.). Cascudo: Guardião das Nossas Tradições.

- Fernando Luís da Câmara Cascudo: “Confissões do Filho”. In.. MAIA, Isaura A. Rosado (Org.). Cascudo: Guardião das Nossas Tradições.

- Anna Maria Cascudo-Barreto: O Colecionador de Crepúsculos – Fotobiografia de Luís da Câmara Cascudo; Coronel Cascudo: O Herói Oculto e Teotônio Freire: Fragmentos de um Legado.

- Américo de Oliveira Costa: Viagem ao Universo de Câmara Cascudo – Tentativa de Ensaio Biobibliográfico.

- Gilberto de Mello Freyre: “Luiz da Câmara Cascudo: Antropólogo Cultural”. In. Província 2.

- Vânia Gico: Luís da Câmara Cascudo: Itinerário de um Pensador.

- Diógenes da Cunha Lima: Câmara Cascudo: Um Brasileiro Feliz.

- Isaura Rosado Maia (Org.): Cascudo: Guardião das Nossas Tradições.

- Zila Mamede: Luís da Câmara Cascudo: 50 anos de Vida Intelectual (1918-1968). (Um clássico).

- Gildson Oliveira: Câmara Cascudo: Um Homem Chamado Brasil.

- REVISTA CONTINENTE DOCUMENTO – CÂMARA CASCUDO, A VIDA DENTRO DA OBRA.

- André Sales: Câmara Cascudo: Sua Teoria Folclórica, o Método de Pesquisa e sua Relação Política com as Classes Populares.

- Marcos Antonio Silva (Org.): Dicionário Crítico – Câmara Cascudo.

- Itamar de Souza: Câmara Cascudo: Vida & Obra.

 

            Finalizando esta parte do assunto, quero lembrar que para esta mesma classificação dos livros de Cascudo que fiz acima, Manoel Onofre Júnior (2012: 51-64) denomina-os de escritos regionais.

            Passo agora à discussão sobre a dimensão universal da obra elaborada por Câmara Cascudo.

 

IV. Universalidade:

 

            Segundo o filósofo Georg Lukács, antes já citado, o universal é tudo aquilo que diz respeito aos “interesses de toda a sociedade” (1978: 76), a universalidade está sempre “em uma contínua tensão com a singularidade”. Ou seja, as relações entre singular e universal (deixando de lado as explicações sobre a particularidade) são sempre múltiplas e contraditórias, e quanto mais autêntica e profundamente os nexos da realidade, suas conexões e contradições, “forem concebidos sob a forma da universalidade”, de modo mais exato e mais concreto “poderá ser compreendido também o singular” (id.: 104).

            De acordo com a classificação elaborada por mim para este momento, a obra de Câmara Cascudo em sua dimensão universalista, que se refere a temas que transcendem Natal e o Rio Grande do Norte, abrangendo assuntos que interessam a todo o Brasil, além, de Portugal, Espanha, África, estudos judaicos, etc., pode ser assim distinguida:

 

1. Estudos sobre o Folclore e a Cultura Popular no Brasil:

 

*Câmara Cascudo: Dicionário do Folclore Brasileiro - Edição Revista, Atualizada e Ilustrada. 12a ed. São Paulo: Global, 2012.

_____. Civilização e Cultura – Pesquisas e Notas de Etnografia Geral. São Paulo: Global, 2004.

_____. Folclore do Brasil. 2ª ed. Natal: FJA, 1980.

_____. Literatura Oral no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. (Coleção Documentos Brasileiros, n° 186).

_____. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2a ed. Rio de Janeiro: José Olympio/MEC/INL, 1976. (Coleção Documentos Brasileiros, v. 52).

_____. Contos Tradicionais do Brasil Para Crianças. São Paulo: Global, 2003.

 

            Neste quesito, Câmara Cascudo é citado por autores brasileiros, de modo geral, e bastante utilizado, por exemplo, nas Universidades do país:

 

- Antonio Augusto Arantes: O Que é Cultura Popular.

- Carlos Rodrigues Brandão: O Que é Folclore.

- René Marc Silva (Org.): Cultura Popular e Educação: Salto para o Futuro.

- Mário de Andrade: Macunaíma, O Herói Sem Nenhum Caráter e O Turista Aprendiz.

Sabemos pelas cartas trocadas entre Câmara Cascudo e Mário de Andrade (Moraes, 2010), que Cascudo ajudou no feitio do famoso livro andradeano Macunaíma, contribuindo, em duas célebres passagens, ambas esclarecendo a Mário as diferenças entre algumas rendas de bilros nordestinas/potiguares citadas pelo autor do célebre romance (Andrade: 2008: 34 e 156).

 

2. Estudo sobre Folkcomunicação:

 

            Esta é uma nova área do conhecimento, relativamente recente, que também utiliza as contribuições da obra universalista de Cascudo, como, por exemplo, apenas para citar o fundador da nova disciplina:

 

- Luiz Beltrão: Folkcomunicação: Um Estudo dos Agentes e dos Meios Populares de Informação de Fatos e Expressão de Idéias.

 

3. Estudos sobre os Mártires de Cunhaú e Uruaçu (em Processo de Canonização):

 

            Nos estudos sobre nossos possíveis “santos potiguares”, a contribuição de Cascudo também está lá, por exemplo, em:

 

- Auricéia Lima. Terras de Mártires.

- Francisco de Assis Pereira: Protomártires do Brasil.

 

4. Estudo sobre a Raça Negra e sua Religião no Brasil e na África:

 

            Câmara Cascudo nunca negou seu interesse em trazer à luz a História de personagens normalmente excluídos pela sociedade, como, por exemplo, os judeus e a raça negra. Comprovam isso, em relação aos estudos afro-brasileiros ele deixou escritos os livros:

 

*Câmara Cascudo: Meleagro: Pesquisa do Catimbó e Notas da Magia Branca no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1978a.

_____. Made in África – Pesquisas e Notas. 5ª ed. São Paulo: Global, 2001b.

 

            Especificamente acerca dos seus estudos africanos, seus livros influenciaram, dentre outros:

 

- Roberto Emerson Benjamin: A África Está em Nós: História e Cultura Afro-Brasileira.

- Augusto Mesquitela de Lima. “Portugal e África na Obra de Câmara Cascudo”. In.. MAIA, Isaura A. Rosado. Cascudo: Guardião das Nossas Tradições.

 

5. Estudos sobre a História dos Judeus no Brasil:

 

*Câmara Cascudo: Mouros, Franceses e Judeus: Três Presenças no Brasil. 3ª ed. São Paulo, Global, 2001c.

 

            Como já antes citado, em relação aos estudos judaicos brasileiros, referem-se aos estudos de Cascudo, por exemplo:

 

- Olavo de Medeiros Filho: Velhas Famílias do Seridó.

- Egon Wolff & Frieda Wolff: Natal: Uma Comunidade Singular.

- João Dias Medeiros: Nos Passos do Retorno: Descendentes dos Cristão-Novos Descobrindo o Judaísmo de seus Avós Portugueses.

- André Sales: Lugares e Personalidades Históricas de Arez/RN.

 

6. Estudos de Antropologia e Etnografia:

 

*Câmara Cascudo: Ensaios de Etnografia Brasileira – Pesquisas na Cultura Popular do Brasil. Rio de Janeiro: MEC/INL, 1971. (Coleção Consulta Científica, nº 2).

_____. Geografia dos Mitos Brasileiros. 2a ed. Rio de Janeiro: José Olympio/MEC/INL, 1976. (Coleção Documentos Brasileiros, v. 52).

_____. Civilização e Cultura – Pesquisas e Notas de Etnografia Geral. 2ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia. 1983.

_____. Dicionário do Folclore Brasileiro - Edição Revista, Atualizada e Ilustrada. 10a ed. São Paulo: Global, 2001.

_____. História da Alimentação do Brasil – Pesquisas e Notas. 2ª ed. São Paulo: Global, 2010b.

_____. Contos Tradicionais do Brasil para Crianças. São Paulo: Global, 2003. (Coleção Tradição Popular, vol. 5).

 

            Quando o assunto é etnografia, pode-se dizer que Cascudo estava imerso, completamente em seu principal elemento. Seus livros sobre antropologia/etnografia influenciaram:

 

- Maristela Oliveira de Andrade: Anotações Sobre a Obra Etnográfica de Câmara Cascudo e Tradição e Cultura Nordestina: Ensaios de História Cultural e Intelectual.

- Altimar Pimentel: Boi de Reis.

- Elvira D’Amorim & Dinalva Araújo: Do Lundu ao Samba: Pelos Caminhos do Coco.

- Eduardo Escalante: A Festa de Santa Cruz da Aldeia de Carapicuíba no Estado de São Paulo.

 

7. Estudo do Período Chamado de “Brasil Holandês” (1630 a 1654):

 

*Câmara Cascudo: Os Holandeses no Rio Grande do Norte. Natal: Departamento de Imprensa, 1949.

_____. Geografia do Brasil Holandês – Presença Holandesa no Brasil: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.

 

            Os dois livros citados são de importância indiscutível para a História do tempo chamado de “Brasil Holandês”, independente de seu caráter singular ou mesmo, regional, o tema interessa, concomitantemente, ao Brasil e a Holanda. Sua contribuição ao assunto, da qual o Geografia do Brasil Holandês tornou-se um clássico, inspirou:

 

- José Antônio Gonsalves de Mello: Tempo dos Flamengos: Influência da Ocupação Holandesa na Vida e na Cultura do Norte do Brasil. (O livro clássico considerado o mais importante sobre a época da ocupação holandesa em nosso país).

- Pedro Puntoni: “Geografia do Brasil Holandês”. In.. SILVA, Marcos Antonio (Org.). Dicionário Crítico – Câmara Cascudo.

- Evaldo Cabral de Mello: Rubro Veio: O Imaginário da Restauração Pernambucana.

- Olavo de Medeiros Filho: No Rastro dos Flamengos.

- André Sales: Câmara Cascudo: O Que é Folclore, Lenda, Mito e a Presença Lendária dos Holandeses no Brasil.

 

8. Estudos sobre a “Revolução de 1817” no Nordeste:

 

*Câmara Cascudo: Movimento da Independência no Rio Grande do Norte. Natal: FJA, 1973.

_____. A Casa de Cunhaú: História e Genealogia. Brasília: Senado Federal: 2008a.

 

            A “Revolução de 1817” ocorreu apenas no Nordeste do Brasil, mas é uma temática, indubitavelmente, universalista. Os livros de Câmara Cascudo acima citados são clássicos sobre o assunto, ainda que eu não haja procurado, em Recife ou em João Pessoa, por exemplo, outros escritos que tratem desta que foi uma das primeiras revoluções brasileiras pela nossa independência de Portugal.

 

9. Estudos sobre a “Guerra de Canudos”:

 

*Câmara Cascudo: “Biblioteca: J. C. Pinto Dantas Jr. ‘O Barão de Geremoabo’”. A República. Natal: IOE, Ano XLIX, nº 2454, 30/05/1939.

_____. “O Barão de Jeremoabo”. A Tarde. Salvador/BA, 01/08/1939.

_____. “Euclides da Cunha em Natal”. Revista Bando. V. 5. Natal: Sebo Vermelho, no 9-10, 2002.

 

            Ocorrida na Bahia, a História da Guerra de Canudos, cujo livro clássico é Os Sertões, de Euclides da Cunha, é tema de interesse nacional e internacional; a tradução do livro de Euclides para várias línguas estrangeiras é prova disso. Cascudo também deixou sua modesta contribuição sobre a epopéia militar contra o povoado humilde de Canudos, tendo contribuído, por exemplo, para o livro de:

 

- André Sales: Canudos, Os Sertões e a História de um Herói Potiguar.

 

10. Estudos na Área da Literatura:

 

*Câmara Cascudo: Literatura Oral no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. (Coleção Documentos Brasileiros, n° 186).

_____. Canto de Muro – Romance de Costumes. 4ª. ed. São Paulo: Global, 2006.

 

            De modo algum, os estudos literários de Câmara Cascudo, incluindo seu romance único, Canto de Muro, de 1959, são de interesse singular. Nesta área do conhecimento é inclusive notória sua contribuição, dentre outros, aos escritos do modernista Mário de Andrade. Além disso, seus livros ainda serviram de inspiração para os seguintes estudos:

 

- Mário de Andrade: Macunaíma, O Herói Sem Nenhum Caráter e O Turista Aprendiz.

- Ilza Matias de Souza: Câmara Cascudo: Viajante da Escrita e do Pensamento Nômade.

- Humberto Araújo (Org.): Histórias de Letras: Pesquisas Sobre a Literatura no Rio Grande do Norte.

 

11. Estudos sobre Ecologia e Biologia:

 

*Câmara Cascudo: Canto de Muro – Romance de Costumes. 4ª. ed. São Paulo: Global, 2006.

 

            Além do interesse universalista desse livro cascudiano, seu único romance, acredito que ele merecesse até mesmo uma tradução para o inglês, que é a língua mais universal do Ocidente. A importância da erudição e do aparato linguístico comprovadamente utilizados pelo autor, inspirou os seguintes escritos:

 

- Telê Ancona Lopez: “Canto de Muro”. In: SILVA, Marcos Antonio (Org.). Dicionário Crítico – Câmara Cascudo.

- André Sales: Câmara Cascudo e seu erudito preparo lingüístico no romance “Canto de Muro”.

 

12. Estudos sobre a Internacionalidade da obra de Câmara Cascudo:

 

            Ainda que o tema da História dos judeus e da África sejam de interesse internacional, os escritos de Cascudo publicados noutros países, além de México, Japão, Cuba, etc., serviram de tema para os seguintes livros:

 

- Francisco Fernandes Marinho: Câmara Cascudo e o I Congresso Luso-Brasileiro de Folclore e “Câmara Cascudo e a Península Ibérica”. In.. CASCUDO, Daliana (Org.). Câmara Cascudo: 20 Anos de Encantamento.

 

13. Autobiografias do autor e estudos sobre suas memórias:

 

*Câmara Cascudo: Prelúdio e Fuga do Real. Natal: FJA, 1974.

 

_____. Pequeno Manual do Doente Aprendiz – Notas e Maginações. 2ª ed. Natal: EdUFRN, 1998b.

_____. Canto de Muro – Romance de Costumes. 4ª. ed. São Paulo: Global, 2006.

_____. O Tempo e Eu: Confidências e Proposições. 2ª ed. Natal: EdUFRN, 2008.

_____. Viajando o Sertão. 4ª ed. São Paulo, 2009.

_____. Na Ronda do Tempo. 3ª ed. Natal: EdUFRN, 2010.

_____. Ontem – Marginações e Notas de um Professor de Província. 3ª ed. Natal: Ed UFRN, 2010a.

_____. Gente Viva. 2ª ed. Natal: EdUFRN, 2010c.

MORAES, Marcos Antonio (Org.). Câmara Cascudo e Mário de Andrade: Cartas, 1924-1944. São Paulo: Global, 2010.

 

            Sendo um assunto atualmente de máxima relevância, os livros autobiográficos de Cascudo têm interessado pesquisadores de vários estados brasileiros, e talvez até de outros países lusófonos. Como exemplo, cito:

 

- Margarida de Souza Neves: “Artes e Ofícios de um Provinciano Incurável. Revista Projeto História (PUC/SP) – Artes da História & outras linguagens; “Literatura: prelúdio e fuga do real”. Revista Tempo e “O Artesanato da Memória: Luís da Câmara Cascudo e a Narrativa Autobiográfica” In. PASSEGI, M. C.; BARBOSA, T. M. N. Narrativas de Formação e Saberes Biográficos.

 

14. Estudos Críticos à obra Cascudiana:

 

            Os estudos críticos que a obra de Cascudo inspirou, poderiam ser classificados como de interesse singular, mas, como são todas elas publicações de nível nacional, devem ser compreendidos como escritos universalistas. Por exemplo:

 

- Durval Muniz Albuquerque Jr: A Invenção do Nordeste e outras Artes.

- Andrea Chiacchi: “Eles, os Outros: Considerações sobre Identidades e Diversidades Culturais”. In.. BUONFIGLIO, Maria Carmela. Políticas Públicas em Questão: O Plano de Qualificação do Trabalhador.

- Raimundo Arrais: Crônicas de Origem: A Cidade de Natal nas Crônicas Cascudianas dos Anos 20.

- Marcos Antonio Silva (Org.). Dicionário Crítico – Câmara Cascudo.

- Hilário Franco Jr.: “Contos Tradicionais do Brasil”. In: SILVA, Marcos Antonio (Org.). Dicionário Crítico – Câmara Cascudo.

 

V. CONCLUSÕES:

 

            Acredito, por fim, que meus objetivos iniciais foram aqui cumpridos com a maior seriedade possível.

            A partir de uma ampla bibliografia, que com certeza é bastante conhecida pelos estudiosos do tema, demonstrei que além de seus escritos de dimensão singular, existem livros de dimensão universal presentes na obra de Câmara Cascudo (que ultrapassa mais de 100 livros publicados) que são de importância inequívoca para a compreensão da História e da Sociologia das culturas humanas.

È preciso ratificar que esta universalidade refere-se, mais especificamente, aos escritos cascudianos que versam sobre a Cultura universal e sobre as Culturas Populares, tanto no Brasil, como na África, em Portugal, Espanha, etc.

 

VI. REFERÊNCIAS:

 

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