Quando me amares
receberei  de ti pássaros
e sementes, acácias postas ao acaso
janeiros e verões em ventos calmos.

Quando me amares
trarei das vazantes ramos verdes
conchas do mar, vasos de argila.
E as sete mil  cores do dia.

Quando me amares
trarás azul em tarde clara
e brandos sóis, afastando  cinzas
da  ocasional manhã.

Quando me amares
deporei lenços e mãos em aceno,
não mais serei de silêncio e
tristes palavras.

Quando me amares
serás chama em noites de chuva e frio,
diáspora do tempo,
por onde a vida prossegue.


Quando me amares
terás de mim um saudar de gesto levantado,
demoramento  de desejos,
na vagação de um rio ermo.

Quando me amares
Estarei  nos rasos do mundo,
ao encontro do que fugi,
contando delírios por verdade.

Quando me amares,
enigmática, descerás em mim:
colherei  doces frutos maduros.
E serei capaz, então, de amar-te.