E  NADA MAIS

 

Domingo.

Da janela,

O resto da Mata Atlântica.

A música de Omara Portuondo.

A poesia de Joan Brossa(1)

(1) Joan Brossa nasceu em 19 de janeiro de 1919, na Rua Wagner, bairro de Sant Gervasi, em Barcelona. Faleceu em 30 de dezembro de 1998. A sua obra desvela, assim, uma crônica original das mudanças substanciais que a Guerra Civil Espanhola produziu. A posição de investigador o levou a experimentar com três tipos de recursos literários: dos mais tradicionais, como a ode, os sonetos e as sextinas, às formas populares e do romance e outros gêneros que vão além das propostas das  vanguardas históricas, como a poesia visual e os poemas-objetos. (In Joan Brossa: Poesia para ser vista, Glória Bordans,  Amanta Editorial e Ateliê Editorial, 2005)

 

 

AMÉRICA LATINA

Para Ernesto “Che” Guevara

Há uma

América

dentro de nós:

sangra,

dói,

dilacera.

Há uma

outra América,

a da esperança,

Ernesto “Che” Guevara.

LÁGRIMAS E ESPERANÇA – I

 

Para Maria Dantas de Araújo, minha mãe.

Maria Dantas de Araújo:

“-mamãe, minha mãe e mãe!”

era como  nós, os três filhos,

te  chamávamos.

De olhos florestais

e cabelos cor de mel,

Amava-nos!

Entre nós grandes

silêncios

e ressurreições!

No meio, a “Rua do Motor

com urubus e carniças”.

Agora, a Jerusalém celestial

onde Deus

te espera

Entre o azul e o infinito.