O CHAMADO OU EM CÂNTICO PARA A LIBERDADE

I

Se sobres, se choras

Como posso socorrer-te?

Estou tão longe de seu caminho…

Estou tão longe de sua história…

Minhas memórias resgatam meu próprio mundo…

Tua trajetória se abre em mim

como um livro novo: tão desconhecido,

tão atraente, tudo misterioso demais!

Nossas vozes calam-se

Em espanto:

o que digo, não repito!

o que dizes, queres como segredo!

Quem abrirá os cadeados

de nossa memória,

de nossa vida,

de nossos sonhos?

PALAVRAS

O mundo das idéias livres…

Tais quais são pensadas,

moldadas…

Verdades? Palpitações.

Mentiras? Esferas.

Confronto concreto dilapidando

mentes,

aclarando fontes,

obstruindo estantes.

Diálogo ampliados,

resumidos, trocados,

mal compreendidos.

Esticados ao máximo

de suas línguas,

bocas impotentes.

Para a clausura eterna

do fogo que as lança

ao mundo do imaginário.

MARANGUAPE

O Sol azul iluminou

verdemente as samambaias

vermelhas das Serras dos Peixes.

Uma um amarela

colheu a flor branca

sem sentir o perfume

dos coqueiros alados…

As nuvens tristes choraram

No campo de milho…

Quem dirá não haver

vento e tranças

nas espigas?