Lianas

Tear do sol,
raízes das águas,
raízes das copas.

Vitrine de colares índios.
Rede do silêncio e das sombras.

Inhanha de cordões
umbelicais
da terra mãe.

Cortinas despregadas
na interioridade da floresta.

REDE DE DORMIR

Balanço de adultos e crianças .
Malha de sonhos pobres,
tecida, a fuso, pelas fiandeiras
que Velászquez já conhecia
Indispensável companheira.
Noiva do sertanejo.
Para a árvore, talvez, porque a noite exige;
para as vigas do rancho;
para a escápula das varandas
com pretensão de bungalow;
para o barco em rota interminável.

Pendurada como um sulco suspenso,
onde a gente se semeia inteiramente…

Mantinha do suor de cada dia.
Algodão do silêncio e da amargura.
Feita para todos os corpos.
Maneira como embornal.
Berço, cama e mortalha.