(POETISA GREGA)

Elýtis

O TEMPO É A SOMBRA CÉLERE DOS PÁSSAROS

O tempo é a sombra célere dos pássaros

Meus olhos escancarados em meio às suas imagens

Por sobre o verde ditoso das folhas

As borboletas vivem grandes peripécias

Entrementes a inocência

Despe sua última mentira

Doce doce peripécia

A Vida.

[ De orientações]

JÁ NÃO CONHEÇO A NOITE

Já não conheço a noite, terrível anonimato da morte

No porto de minha alma ancora uma frota de astros.

Estrela da noite, sentinela a refulgir na brisa

Celeste de uma ilha que me sonha

A proclamar de seus altos rochedos a alvorada

Meus dois olhos num abraço te acolhem com o astro

Do meu velho coração: já não conheço a noite.

Já não conheço os nomes de um mundo que me nega

Leio as conchas, as folhas, os astros com clareza

Meu ódio é supérfluo nos caminhos do céu

A menos seja o sonho vendo-me cruzar de novo

com lágrimas o mar da imortalidade

Estrela do mar, sob o arco dourado de teus fogos

Já não conheço a noite que é só noite.

[De Sol primeiro]