MANHAS E MANHÃS

A manhã desnudou-se insinuante
Em água de colônia
Cheiros de rosas, água límpida
De poço e cisterna
Na aba da Serra de Santana
De onde se avistam
Os Currais e a tua ausência.

DE TARDE

A tarde se lança no tempo, e corre,
Percebendo que se avizinha a noite,
Quedando-se na espera.

A tarde sabe-se ‘intermezzo’
Entre manhãs dentifrícias
e luas metálicas!

Onde se retarda!!!

ÂNGELUS

Francisco Alves C. Sobrinho

A tarde, traiçoeira, tomba
imantando-se de estrelas.

No inesperado carrega, em seu véu,
As cores do céu.

Repara como ela se despede do dia,
Ilusória ida, tocaia de alegoria.

Olha o insistente contorno, a luz
magenta, que a prateia e sustenta.

E o chão da escura rua,
estrelando-se, como ninfeta nua.

E a bisbilhoteira luz da lua, voyer,
Fingindo iluminar o meu amor por você.