Eduardo Gosson(1)

Hoje, 25 de julho, é o Dia do Escritor. Afinal, todos tem o seu dia. No entanto, é oportuno fazermos uma reflexão do seu papel na sociedade. O filósofo italiano Antonio Gramsci, em seu livro Os Intelectuais e a Organização da Cultura, dá-nos algumas pistas: “Todos os homens são intelectuais, poder-se-ia dizer então; mas nem todos os homens desempenham na sociedade a função de intelectuais”. Ao fazer tal afirmativa, o pensador italiano estava a dizer das especificidades desse segmento. O autor estabelece os vários tipos de intelectuais, em diversas sociedades; o grau de compromisso de cada um e a serviço de quem os intelectuais estão. O fato, por exemplo, de alguém ter habilidade para serviços hidráulicos ou elétricos não quer dizer que aquela pessoa seja um encanador ou um eletricista.

Um outro poeta e pensador T.S. Eliot afirma: “sua tarefa direta é com sua língua, primeiro para preservá-la, segundo para distendê-la e aperfeiçoá-la”. No caso concreto brasileiro, nunca essa afirmativa foi tão verdadeira. A língua portuguesa nunca esteve tão maltratada como nos dias atuais. É só lermos os jornais, assistirmos aos canais de TV, ouvirmos a música que se produz, para constatarmos uma decadência. Senão vejamos: “-a nível de ministério”. Ora, em nenhum dicionário se encontra “a nível” seguido da preposição “de”, para significar “à mesma altura”. Contudo, nem tudo está perdido. Iniciativas do parlamentar Aldo Rabelo no sentido de preservar a língua são valiosas; a postura combatente do escritor Ariano Suassuna (retirando-se, claro, um nacionalismo exagerado); o professor Pasquale Cipro Neto com o programa Nossa Língua Portuguesa veiculado na TV Cultura e as diversas instituições comprometidas.

No Rio Grande do Norte, a União Brasileira de Escritores – UBE/RN tem, após a sua reorganização, elaborado algumas ações : em março passado organizou o I Encontro Potiguar de Escritores, enviou ao Poder Legislativo um projeto de lei do Livro e do Autor Potiguar, que foi promulgada em 11 de junho último, ficando conhecida como Lei Henrique Castriciano, em homenagem ao intelectual macaibense autor da primeira Lei de incentivo fiscal (agosto de 1900) da América Latina. Os objetivos são os mais nobres, a destacar: 1- dinamizar e democratizar o livro e seu uso mais amplo; 2- incrementar a produção editorial estadual; 3- estimular a produção dos autores naturais do RN; 4 – promover atividades com vistas ao desenvolvimento do hábito de leitura; 5- estimular o mercado editorial do Estado para que possamos competir em melhores condições; 6 – preservar o patrimônio literário, bibliográfico e documental; 7 – implantar e ampliar bibliotecas públicas em todo o Estado; 8- estimular o surgimento de novas livrarias e postos de vendas de livros; 9- proteger os direitos intelectuais e patrimoniais dos autores e editores; 10- apoiar iniciativas de entidades que tenham por objetivo a divulgação do livro.

Nos Dez Mandamentos supracitados, o leitor poderá ter uma idéia de quanto trabalho os nossos escritores têm por fazer. Aí é que entra uma outra questão: a do engajamento. Se o escritor não tiver uma visão política da cultura, com certeza não andará nesta longa estrada e o seu papel ficará comprometido: escrever é lutar por um mundo melhor.

(1) Eduardo Gosson é membro do Instituto Histórico e Geográfico e Presidente da União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte – UBE/RN.

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