O REI DE THULE

Em Thule um rei houve outr’ora

Fiel até que morreu;

A amante, na extrema hora,

Doirada copa lhe deu.

Nos festins a esvasiava

E a tudo mais a pref´ria;

Sua vista se turvava,

Sempre que n´ella deu. bebia.

A MEDIDA DO TEMPO

- Aqui, Eros? P´ra quê de ampulhetas um par?

Dupla medida tens, leviano?_ N´uma, a hora,

Se os amantes estão juntos,é voadora;

Se estão longe, na outra, expira de vagar.

CANÇÃO NOCTURNA

do viajante

Por sobre as cumieiras

Tudo em descanso jaz,

N´estas regiões cimeiras

Apenas ouvirás

Um bafo,um sôpro leve;

Dorme a avesinha em paz…

Espera um pouco, em breve

Tambem descansarás.

MORTE APPARENTE

Ó donzellas, chorae do Amor na sepultura!

Um nada o victimou aqui, n´este logar.

Mas estará bem morto? E quem é que m’o jura?

Muitas vezes um nada o faz ressuscitar.