VÉRTIC

Universo

único verso da criação

percurso no curso do irreal.

Universo

verso único de ligação

temeridade na razão.

De CANTO À INOCÊNCIA

Eu não pedi o mundo desse jeito para mim

não queria a guerra, apenas a paz

não pedi rivalidades entre os seres

somente concórdia e não poderes.

Não queria que a corrupção dominasse

a hipocrisia e falsidade se alastrasse.

Pedi justiça e não sabida esperteza

também uma simples e plena justeza.

Não, não imaginei o mundo assim…

queria sim, que ele não fosse ruim

que a poderosa e sempre disputada grana

não matasse os ditos humanos entre si

e a violência / fome acabasse para ti.

Não queria tampouco a velhice chegando

a gente, então, alcançando o triste fim

e a morte como um pesadelo enfim.

Não, não pensei que o mundo fosse…

nem para todos e, claro, nem para mim.

Um universo aparentemente belo

mas paradoxalmente não serafim.

Desejava outro mundo de amor

sem qualquer insuportável dor.

(in)frutíferas idéias.

RUPTURA

A distância de idade

faz entristecer

sem poder tocá-la

amá-la

querer.

Na ilusão perdida

meu jovem olhar.

A desesperança

humana de doar.

A minha e tua

curta existência

não poderá quebrar

diferente diferença?

IMAGINAÇÃO

Na escura avenida eu vi o passado

passando bem perto do meu lado

vi a chegada da outrora primavera

o namoro e afago na linda donzela

vi os olhares puros e ingênuos

o bonde caminhando na esquina

as conversas de quina a quina .

Vi, sim, o bem sobrepujar o mal

a afluência ao gostoso clube local

meninas correndo no imenso areal

brincando na mais doce inocência

e ainda numa possível coerência.

Vi a pobreza bastante amenizada

a riqueza solidamente contestada

uma igualdade nunca questionada.

Na escura avenida eu vi, mas tudo

no fascinante mundo da alegoria.