REDE…[1]

Embaladora do sono…

Balanço dos alpendres e dos ranchos…

Vai e vem nas modinhas langorosas…

Vai e vem de embalos e canções…

Professora de violões…

Tipóia dos amores nordestinos…

Grande… larga e forte… pra casais…

Berço de grande raça

Guardadora de sonhos…

Pra madorna ao meio-dia…

Grande… côncava…

Lá no fundo dorme um bichinho…

— ô…ô…ô…ôô…ôôôôôôôôô…

— Balança o punho da rede pro menino durmir…

MANHECENÇA

O dia nasce grunindo pelos bicos

Dos urumarais…

Dos azulões… da asa branca…

Mama o leite quente que chia nas cuias espumando…

Os chocalhos repicam na alegria do chouto das vacas…

As janels das serras estão todas enfeitadas

De cipó florado…

E o coên! coên! do dia novo —

Vai subindo nas asas peneirantes dos caracarás…

Correndo os campos no mugido do gado…

No — mên — fanhoso dos bezerros…

Nas carreiras da cutias… no zunzum de asas dos besouros,

das abelhas… nos pinotes dos cabritos…

Nos trotes fortes e luzidos dos poltros…

E todo ensangüentado do vermelhão das barras

Leva o primeiro banho nos açudes

E é embrulhado na toalha quente do sol

E vai mudando a primeira passada pelos

Campos todo forrado de capim panasco..

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TÉ-TEU

Té-teu — canela fina —

Vive pra desperta todos os bichos do campo…

Cochila seguro numa perna só

Num descuido desce a oura

Desperta logo: — Té-te-téu!

Todos respondem: — Té-te-téu!

— Sentinela das matas… dos campos…

Sineta suspensa badalando na noite: — Té-te-téu!

Sobre o açude

Pinicando no terreiro

Perseguindo gaviões badalando dezenas de sinetas

Revoando em bando no espaço incendido do sertão sem nuvens

Num alvoroço de alarme:

Té… téu! Té… téu!

Té… téu! Té… téu!

Té… téu! Té… téu!

Té… téu! Té… téu!

Té… téu! Té… téu!