Bebé de Natércio

01

Preste atenção meu amigo

A traição é um motor

Que move a ignorância

Tira o limite da dor

Desonera o bem querer

É o mal que nasce do amor

02

O desejo quer que o amor

Seja belo, seja adorno…

Que o fogo da libido

Seja quente, nunca morno…

Se não, um dos dois congela.

E o gelado vai ser corno

03

E ai a antropologia

Fez um estudo varonil

Pesquisou mais de um século

Como antes ninguém viu

Fez a classificação,

Dos cornos do meu Brasil

04

O amigo disse: compadre

Sabe o negão Irineu

Foi pro quarto com a comadre

Que até do tempo esqueceu

E ele responde; é mentira!

Esse ai é o CORNO ATEU!!!

05

Aquele que desconfia

Que a mulher ta muito quieta

Se encontra ela com outro

Sai correndo, pega a reta;

Esse na rotulação

Foi chamado CORNO ATLETA!!!

06 01

Aquele preocupado

Que já perdeu a alegria

“Vai tomar uma solução”

Entra dia e lá vai dia

E nada faz meu amigo;

É o CORNO BATERIA!!!

07

Tem neguim, que não se apruma

E a vida vira um fiasco

Acredita na mulher

E diz: por ela eu me lasco

Boto até a mão no fogo

Esse é o CORNO CHURRASCO!!!

08

Tem um que é muito calmo

Com ele não tem besteira

Não existe tempo ruim

Nada lhe da tremedeira

Não se esquenta com nada

Esse é o CORNO GELADEIRA

09

Você vendo o CORNO ABELHA!!!

Sabe logo o que ele é

Quando o Ricardão encosta

Ele briga, bate o pé;

Vai pra rua fazer cera

Só volta cheio de “mé”

10

Tem também o CORNO ELÉTRICO!!! “Modernim” , que é danado

Só vive cheio de gíria

Dono do palavreado

Quando é chamado de corno

A resposta é: tô ligado

11

Encontrou sua mulher

Num 69 emblemático,

Foi ligeiro para o bar

Seu semblante é sorumbático

Pede uma 51,

Esse é o CORNO MATEMÁTICO!!!

12

Falar do CORNO AMBULÂNCIA

Me deixa bastante mal

Vê sua cara-metade

Na maior cara de pau

Dano no couro com o urso

E só faz UAU! UAU! UAU!

13

Eu vou matar esse cara

Isso vai pru meu currículo

Fala que mata e não mata

Mente que fica ridículo

Prometeu pra não cumprir

É mesmo o CORNO POLÍTICO

14

De cima de sua mulher

Tira o caboclo ligeiro

Metido a tirar caboclo

Vindo até do estrangeiro

É o trabalho incansável

De um CORNO MACUMBEIRO!!!

15

Ela saiu do motel

Ele ficou no sussurro

Não entendo, não entendo;

E foi não foi dava um urro

Quem não entende o que vê

Pode ver que é CORNO BURRO

16

Vendo o CORNO BESTAFERA

Uma análise lhe cabe

O seu estado nervoso

Faz que o seu mundo desabe

É besta enquanto não soube

É fera, depois que sabe.

17

Tem um corno, meu amigo

Que vive de bola mucha

Não deixarei os baixinhos

Responde em cima da bucha

Fica sofrendo mais fica

Esse é o CORNO XUXA

18

Só balançando a cabeça

Num cria cena, nem rixa

Tal qual pescoço de mola

Pra amortecer a barbicha

E ela lá com o Ricardão

Esse é o CORNO LAGARTIXA.

19

Ela vai com o Ricardão

Escanchada numa moto

Em tu só da tremedeira

Serás do chifre devoto

Por isso que eles dizem

Olha o CORNO TERREMOTO!

20

O Corno Paulista, amigo,

Na lida que Deus lhe deu

Quando descobre a cornança

-Como isso aconteceu?

Eu vou fazer terapia

O problemático, sou eu;

21

O Carioca tu sabe

Não vive na estiagem

Quando vê a safadeza

Já pensa na malandragem

Ele, ela e o Ricardão;

Entram numa sacanagem

22

E como fica o Gaúcho

Na hora que ele vê

Pega a prenda e com o punhal

Fura até ela morrer

E vai viver bem feliz

Com a Ricardão, ô tche

23

O Goiano, quando sabe;

Que é corno de bandeja

Se senta no bar mais perto

Enche a cara de cerveja

E com outro corno faz

Uma dupla sertaneja

24

O Paraibano macho

Pega a nega no paiol

Mata ele, mata ela!

Bota no oi um anzol

Corta a xana e a bilola

Pra fazer carne de sol

25

O Baiano que tem “muita”

“Vontade de trabalhar”

Se peg’ela no batente

Começa logo a falar

Já que ela já fez isso

Nem carece eu mais pimbar

O CORNO VOADOR

26

Eu vou contar uma estória

Que um amigo me contou

Dum cabra que levou chifre

E não se acostumou

Na verdade ele tentava

Ser o CORNO VOADOR

27

Ele já desconfiava

Mas, quando teve certeza;

Pra ele o mundo acabou

Virou o rei da tristeza

Repetia toda hora

Levei chifre de Tereza

28

Com a vida sem sentido

Resolveu suicidar

Pensou diversas maneiras

Como ia se matar

Escolheu um edifício

Bem alto, pra se jogar

29

O prédio de dez andares

Tinha uma pizzaria

Um café, com lanchonete

Ao lado uma livraria

O elevador em frente

Junto da escadaria

30

De tão triste que ele tava

Não quis o elevador

Pegou a escadaria

-Minha vida, é um horror;

Só sou dono de minh’alma

E essa a o diabo eu dou

31

Meus filhos vão ter vergonha

De um pai que levou gaia

De uma mãe rapariga

Levantadora de saia

Que adormece da folia

E acorda pra gandaia

32

Tristeados pensamentos

Na ida pru morredouro

Por que eu não aprendi?

Ser um furador de couro

E aí, foi que eu ganhei;

Essa peruca de touro

33

Chegou o fim da jornada

No topo do edifício

Sentindo o gosto doído

De quem vai pru sacrifício

Mais um louco do amor

Sem ta dentro do hospício

34

Mas, como toda estória;

Tem recheios de surpresa

Lá tava um eletricista

Que era “amigo” de Tereza

E ficou preocupado

Quis acabar com a proeza

35

Deu de mão o celular

E ligou pra “amiga” sua

Dizendo que seu marido

Vai se atirar na rua

E venha logo, correndo!

Antes que ele conclua

36

Ela num surto de raiva

Ligou logo pru bombeiro;

Tava até preocupada

Mas, não foi ao desespero;

Pensou, foi um péssimo amante;

Mas, foi um bom companheiro;

37

Quando chegou no local

Encontrou uma multidão

Lá já estava: jornal

Rádio e Televisão

Um côro gritava: -Pule!

E um outro: – Não pule não!

38

Um sargento dos Bombeiros

Tentava dialogar

Dizendo assim: meu amigo

-Eu só quero lhe falar

Você, um homem sadio;

Por que querer se matar?

39

Ele não queria papo

Parece que nem ouvia

Estava determinado

A acabar a agonia

E a idéia da morte

Todo mundo ali ouvia

40

Ele para, fecha os olhos!

Como quem tava rezando

O corpo num andar lento!

Uma força lhe levando

No beiral do edifício

Pru chão ele fica olhando

41

Nisso, um grito bem forte;

Chamou muita atenção

Tereza disse: – Seu merda!

Você já olhou pru chão

Olhe o tamanho da altura

Seu trejeito de bundão

42

Peça perdão a Jesus

Reze pra São Nicanor

Tome chá de água benta

Carregue a cruz no andor

Por que você ta querendo

Ser o CORNO VOADOR

43

Deixe de pensar besteira

Volte correndo pra casa

Tire o pensamento ruim

Que lhe queima feito brasa

Lhe botei um par de chifre

Não botei um par de asa.

ESSE CORNO TEM VERGONHA

44

Outra estória que eu conto

Mexeu com a minha mente

Estória do interior

Seus costumes, sua gente,

Chifre de cidadezinha

Mas, um cifre diferente.

45

Nascimento era compadre

Do prefeito da cidade

Tinha o maior respeito

Por ele tinha amizade

Entre eles houve um fato

Mexedor da intimidade

46

Na cidade onde morava

Começou um alarido

Que o prefeito Dr. Zito

De Nascimento querido

Arranjara um namorico

Desses namoro escondido

47

Até aí tudo bem

Dr. Zito era solteiro

Um caboco quarentão

Tinha prestigio e dinheiro

Nunca teve um casamento

Por que era bandoleiro

48

Mas, ele foi se engraçar;

Da comadre Consuelo

Esposa de Nascimento

Um casal sem atropelo

Nascimento tava entre

Dois bens que ele tinha zelo

49

O que foi pior ainda

Consuelo achou bom

Que o cabra Nascimento

Andava fora do tom

E ela andava querendo

Fazer solo de pistom

50

Nascimento porém tinha

Na cidade outro compadre

Que vendo aquela bagunça

Do prefeito com a comadre

Disse: eita desmantelo

Eu vou dar uma de padre

51

E chegou pra Nascimento

Com um papo chato e morno

Dizendo que na cidade

Tem casal gastando torno

E que um amigo dele

Tava quase pra ser corno

52

Nascimento respondeu

Aqui na nossa cidade

Só tem esposa bacana

Só tem mulher de verdade

As mulheres do distrito

São como a sua comadre

53

A marca dessas “muier”

É ser fiel ao marido

To completando quarenta

Nunca vi um alarido

Nunca vi um “lubisome”

Nem um namoro escondido

54

Você ta ficando “véi”

E ta perdendo a visão

Anda ouvindo fuxico

E coisas sem precisão

Chifre na nossa cidade

Só tem televisão

55

ele respondeu no ato

A coisa né bem assim

Tem corno nessa cidade

Mais do que nasce capim

Tem chifrudo por que sei

E está perto de mim

56

Nascimento arregalou

Os “ois” com bem atenção

E disse oi meu compadre

Só tem nós dois no salão

E como não é você

É pra mim a acusação

57

Ele disse: isso mesmo

Meu compadre Nascimento

Só to querendo ser justo

É esse o meu intento

Dizer a verdade para

Lhe tirar desse tormento

58

-Consuelo ta cá gota

Disse isso e estatalou

Consuelo já ta veia

Já ta batendo o motor

Queimando óleo cinqüenta

Quem ta fazendo o favor

59

-Eu irei ser curto e grosso

Pra o que for dito, ser dito

Pois está acontecendo

Coisa que não admito

Sabe quem ta lhe cornando

O prefeito, Dr. Zito

60

Você disse que levei

Chifre do compadre Zito!

Isso é conversa fiada

Futricagem de sibito

Vou dizer minha verdade.

Morro e não acredito

61

O compadre respondeu

-Só acredita se ver

És mesmo um corno ateu

E eu vou provar pra você

Você vai vê com os oi,

Que a terra há de comer

62

Na chegada do acordo

Tudo ficou combinado

Nascimento ia fazer

Um pequeno viajado

E os dois iam brechar

O coro sendo furado

63

Sucedeu o combinado

E o Zito chegou na hora

Deu boa noite entrou

Que só o cão de espora

Fechou a porta por dentro

E valei-me Nossa Senhora

64

Nascimento parecia

Que a vida era doçura

Como que achando bom

Toda aquela cornadura

E botou os oião no

Buraco da fechadura

65

O prefeito tava nu

E a coisa já bacana

Consuelo tudo em cima

Branca que só uma banana

Os peitos em cima do buxo

E o buxo em cima da xana

66

Aquele vistoso quadro

Deixou Nascimento aflito

Ele olhou pru compadre

E quase soltou um grito

- Eu não tenho mais coragem

De olhar pra compadre Zito

67

- Tou morrendo de vergonha

Do prefeito meu compadre

Olhe que decepção,

Olhe o corpo da comadre,

No mundo não tem formão

Que essa porcaria enquadre

68

De encarar o compadre

Meu Deus, eu to com fadiga

E a peste da Consuelo

Feia que só a bexiga

Uma bunda branca e mole

E os peito na barriga

69

Eu que sempre disse a ele

Escolha mulher bonita

Dessa do corpo bem feito

Que quando anda se agita

Que ele é autoridade

E pode até fazer fita

70 Ai Ai, o compadre olhou

E disse –num liga não

Tua mulher te chifrando

Na maior animação

E tu só preocupado

Em agradar teu patrão

71

Na bucha ele respondeu

Ela ta é”cum dotor”

O prefeito da cidade

Homem que merece amor

É meu compadre querido

Cidadão que tem valor

72

Agora eu to é com raiva

Da bosta da Consuelo

Que era pra ter mais cuidado

No seu corpo ter mais zelo

Pra fazer academia,

Ter cuidado com o cabelo.

73

E eu vou ter uma conversa

Não vai ficar assim não

Ela vai se bronzear

Vai fazer musculação

Botar lente de contato

E lipoaspiração

74

Manicure, pedicure

Comprar creme pru umbigo

Ajeitar a dentadura

Fazer tudo que eu diga

E se não fizer tudinho

Na vai mais viver comigo.

75

Vou ficando por aqui

Quero ter feito um favor

Chamo a sua atenção

Agradeço se gostou

E lhe faço uma pergunta

Em qual desses se enquadrou?

76

Se você não se enquadrou

Se acha o macho perfeito

Aprenda jogar nas onze

Bater com as duas com efeito

E eu vou te dar um conselho

Faça o serviço bem feito

FIM

Besta é quem não divide

Espaços sentimentais

Brocoió nunca duvide,

É só rever os anais

Dos cornos com emoção

Eu falei no meu cordel

Não levarei para o céu

A dívida da omissão

Tratei com o coração

É assim que eu sempre faço

Rasgo qualquer embaraço

Cumpro o que penso e o que quero

Isso é o meu bolero

Obrigado e um abraço