FANTASMIA

Pelas ermas veredas do oiteiro,

surge a visagem dum tempo perdido.

Ossos do engenho brotam no aceiro

do canavial ao vento retangido.

A lua assombra o vulto do bueiro,

a casa-grande, o pau d?arco florido…

Soa um carro-de-bois, fanho e ronceiro,

maldizendo arrepios no gemido.

Vozes sem corpo xingam a burrama,

ecoam risadagens de bagaço;

na ruinosa capela, um sino chama…

Resta, num vago cheiro de melaço,

algum doce acalanto de mucama

ninando almas jazidas nesse espaço.