DUAS HORAS DA TARDE…

Mastigo as folhas do tempo,

que nos trespassa,

de olhar fixo na paisagem.

Pastoreio ausências e abelhas

cismando em ser tangerino,

caminhante nos desvãos do vento

alimento a chama ardente

que adivinha a hora da colheita,

onde tudo renasce.

DUAS HORAS DA MADRUGADA

Um pássaro se alimenta de coisas acontecidas,

nos ilimitados limites os mitos mudam de nome,

um monge se liberta entoando ladainhas

e as folhas se esvaem

enquanto meus desejos,

equilibrando-se nos trapézios da vertigem,

incendeiam as madrugadas.