FALA

no varal:

os trinta e três

o pão

que o diabo amassa

às vezes

em salvas de prata

às vezes

não

“ o quê?

Uma queda autobiográfica

A essa altura do campeonato?

Villon já passou por aí

E tantos outros.

Diga trinta e três”

E daí?

Eu sou mais eu

- ou melhor-

não existe

ninguém

que possa estar

em meu lugar

não é este

o limite

que quer

toda linguagem?

a vida é

sem medida

e isto

é rigor

A UM APOSTADOR

pra mim

o páreo

é dentro

corro

por fora

(aéreo,

atento)

e fim

VISÃO AO AVESSO

neon insone

esquinas frigorífico

na madrugada

drogada

céu e asfalto

se ombreiam

exaustos

a um canto

travesti e pivete

apressam um trato

: déjà vu

restos

pano rápido

JUNTOS

O horizonte é a luz

que em cor tão unânime

apaga as superfícies

de que vive

esta paisagem

é só o sopro

de um instante-abismo

que apenas há

ei-los depois.

recém-nascidos,

já se respiram:

contemplador,

horizonte,

céu e mar.