CARNAVAL

Sol

Esta água é um deserto

O mundo uma fantasia

O mar, de olhos abertos

Engolindo-se azul

Qual o real da poesia?

HOMMAGE À OSWALD

Bandas marciais

executam a sinfonia da pátria

ao pé do lábaro estridente

Os ministérios verrumam

Na boutonnière do azul

cintila o espírito público

AQUI

Meu corpo é o divã

à esquerda deste espelho

quantas roupas meu deus

espalhadas no soalho

e a vontade de poder

que por toda parte se vê

aqui não tem mar nem céu

e ficamos claustrófobos –

panos de chão irrisórios

do cosmo

TRÓPICO

Sereias louras

em revoada entorpecem

o Canal do Panamá

que belo rego de bunda

suores de uma só banda

quantas carnes carentes

de carícias frementes

e os papagaios

VELHO

Todo velho fica assim

Meio

Ah nem sei como fica

Ele não fica

Um velho não fica