A UMA INCÓGNITA

Deixa que eu apalpe

Com mil olhos dédalos

A polpa

Da tua língua

DIGITAÇÃO

A poética é uma máquina

Há um código central

Em que se digita ANULA

É a máquina do nada

Que anda ao contrário

Da sua meta

A repetição é a morte

Noutro código lateral

Digita-se ENTRA

E os cupins invadem o quarto

OUTRA NIETZSCHEANA

A tensa pantera

Não salta

Porque pensa

Assim Eros

Não dispensa

E agarra

O que à garra

Compensa

REFLEXOS: O CANAL

Há tempos

Li-Tai-Po

No fundo do poço

Hoje vê-se

Reflexos de luzes

No canal

Lua nenhuma

Era só metáfora

O reflexo vê-se

De longe as luminárias

Sem mistérios