DUELO

A nuvem cinza-denso na manhã

era pura intenção de chover logo

Sob lençóis o sol que a espantaria

como que cismava em mais dormir

Não almejava o nimbo apenas escurecer

e ao astro interessava iluminar o mundo

Ajustaram enfim que à noite choveria

os raios livres incendiaram o novo dia

MATINAL

Fazia as abluções matinais

defronte à janela

como se delicadezas quisesse ensinar

por puro coquetismo

ou antepasto ao café

para a alma despertar

Com que saltitante alegria

asseava cada bem torneada

parte do corpo pequenino

e com que pipiante graça

re-espanava com a cabeça

as asas que depois batia!

CORES DO OCASO

O fim de tarde chega em indecisas cores

àquela exata hora em que o dia já não é

e a noite não aconteceu

Na janela às escâncaras

um gomo de laranja anuncia

que a tardinha renovou o traje

depois num longo preto

em busca de lantejoulas

desapareceu