LEMBRANÇAS

 

Ontem te vi menina

tateando na areia.

Apanhavas ostras e

sargaços rodeavam

teus pés.

No mar de ondas cegas!

Não a reconheci na tua

efêmera jovialidade.

Hoje te vejo mulher, um

rosto de rugas fatais.

Reflexo do roído espelho.

E em uma luz de sombras,

a ruína de um tempo

disperso.

 

 

 

VAZIO

Na tua ausência me sinto solitário
mas solidário.
E diante de belas fotos dispo-as

por inteiro.
Carrego-as, então, nuas, entre
corredores obscuros.
Em um tempo de emoções e

ilusões florescidas.

E na cama inquietante, diante

das mesmas, suplico tua doce

e atraente presença.

 

 

 

 

 

OCORRÊNCIA

Na virtude de amores vividos:

o da infância, uma paixão ingênua

o da juventude, um fulgor sublime

o da maturidade, um furor  constante.

E o da velhice, um elo (in)consciente.

Nas sombras de nossas existências!