DESENHOS

as formas do corpo

(alheio)

desenham:

tatuagens na retina

(felinas)

o olhar

segue vidrado

e (ferino)

atira

Ela era linda e loira

e me visitava às tardes.

Fumava maconha

contra a minha vontade.

E eu, careta,

chapava.

Era só larica,

na sua malícia,

irracional

idade.

RESÍDUO

Fragmento petrarquiano

Lembrança bela que nada escuta

revela, com calma, a mente falsa.

Muda a cada meio passo e fala nada.

“Aphil in Paris” na vitrola rola.

Lenta melodia enrola a noite laura,

Petrarca, da janela do Leblon, chora.

Vento de sal descortina a memória,

refresca o céu, a mente assassina,

e o fel interno, inferno, se revolta.