CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES – advogado/veranista

E um outro dia começa, tímido de sol, mas alvissareiro de encontrar a sua plenitude numa manhã radiosa.

Deparei-me, de pronto, com algo nunca d’antes visto nestas plagas – garis uniformizados limpam as ruas e colocam em seus carrinhos os resíduos de lixo – um maço de cigarro vazio, um côco já consumido ou invólucros de um picolé caseiro caicó displicentemente jogados ao léu, ou até outros apetrechos exóticos usados, possivelmente na noite anterior. A coleta de lixo é regular. Cavaleiros em montaria patrulham o rebuliço dos banhistas e freqüentadores dos bares e restaurantes. Está parecendo o primeiro mundo.
O banho de mar, como sempre, atende ao corpo e a alma, com suas águas limpas e mornas, que a natureza tem brindado a praia de Cotovelo.

Com o grande recuo das ondas, temos a oportunidade de difundir alguns jogos, desde as peladas de futebol, volei, fresco-bol a par dos passeios de grande quantidade de adolescentes na beleza viçosa da idade, contrastando com os passos lentos das pessoas da terceira idade, estes com os olhos atentos para o “fantasma do quadriciclo”, bem mais perigoso para as crianças do que o repuxo da maré alta.

O pão quentinho da padaria de D.Léa espalha o seu cheiro nas imediações do estabelecimento, onde se encontram outros produtos complementares para uma casa de praia que se preze. O comércio da cidadela está abastecido de combustível, gás de cozinha, material de construção e manutenção física das casas, água mineral, carvão para churrasco, bebidas, jornais e revistas, sem falar na “feirinha de Pium” com total sortimento de frutas e verduras, sob a proteção da Igreja de Santa Luzia.

Aqui retornamos aos velhos e salutares costumes de visitar a casa dos amigos para um cafezinho feito na hora, com tapioca ou um saboroso suco de cajá, graviola, mangaba, caju e outras frutas locais, desprezando-se os enlatados ou simplesmente uma água de côco afrodisíaca, verdinho, verdinho.

Nem mesmo a visita indesejada da chuva nesta época é capaz de empanar a gostosura do veraneio, pois quando nos impede de sair, insinua um joguinho de dama, xadrez, sinuca, dominó, baralho e tantos outros que a meninada compra, daqueles que exigem conhecimentos de humanidades. Sinto, ainda, a falta do pião e da biloca!

Até a ‘internet’é possível acessar em computadores caseiros ou através das “lan houses”, que proliferam em todo lugar.

Cadeiras nas calçadas, mas com vigilantes por perto, nos dão a ilusória sensação de segurança, fazendo-nos esquecer que estamos na safra dos assaltos e seqüestros relâmpagos. Cotovelo ainda respira ar puro, sem os efeitos deletérios da “droga” tão comum em outras praias. Que Deus a conserve assim.