A CASTIDADE COM QUE ABRIA AS COXAS

A castidade com que abria as coxas

e reluzia a sua flora brava.

Na mansuetude das ovelhas mochas,

e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,

sepultura na grama, sem dizeres.

Em minha ardente substância esvaída,

eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,

primeiro gesto nu ante a primeira

negritude do corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.

E nem restava mais o mundo, à beira

dessa moita orvalhada, nem destino.

TENHO SAUDADES DE UMA DAMA

Tenho saudades   de uma dama

Como jamais houve na cama

Outra igual, e mais terna amante.

Não era sequer provocante.

Provocada, como reagia!

São palavras só: quente, fria.

No banheiro nos enroscávamos.

Eram flamas no preto favo,

Uma guaiar,  um matar-morrer.

Tenho  saudades de uma dama

que me passeava na medula

e  atomizava os pés da cama.

NO MÁRMORE DE TUA BUNDA

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.

Agora que nos separamos, minha morte já não

me pertence.

Tua  a levaste  contigo