Perder um pai

é perder um imã.

Mas tu não és

daqueles que se redobram,

ainda que te atirem

látegos ferozes.

Perder um pai

é nascer duas vezes

saudando ausências

com as mãos

escondidas.

Mas tu não és

engolidor de tristezas:

maduras

em plena infância

e continuas inocente

na tua idade madura.

Perder um pai

é perder

uma luz que não tem

princípio ou fim.

(do livro Aqui hago Justicia, de Alfredo Pérez Alencart)