REMINISCÊNCIAS

Bené Chaves

Ah, saudades daquele tempinho…

De meus carnavais, nossos ancestrais,

uma vida fácil e inocente, que o mundo

não traz jamais.

Nem pra frente e nem pra trás.

Saudades da infância, (in)dócil idade de ânsia,

das imensas partidas e purezas perdidas.

E lindas mulheres desinibidas e inibidas.

Saudades da primeira namorada, daquela

virgem que se foi. E também da última,

com o seu portentoso pó-de-arroz .

Saudades daquela moça com os peitos na
janela, quando eu passava passeando em

frente a casa dela.

Ah, que saudades… De amizades sinceras,

nossas escorregadelas, as loucas querelas.

Tolas, mas triviais e singelas.

Das pessoas caladas, surdas e mudas.
E também das tagarelas.

Infinitas saudades… Das putas donzelas,

deitadas ou em pé, nuas ou vestidas.

Da morena, da ruiva, da negra e da loira.

Paradoxais e belas.

Bené Chaves

Natal – Rn 14/10