POEMAS DE MILTON SIQUEIRA

O CORVO
Pousou sobre minha alma o corvo atroz
De Edgard Poe, e corveja noite e dia
Oseu “slogan” de tétrica ironia
“Nunca mais! Nunca mais! – fatal, feroz!

E desde então morrem a luz dos sóis
Dos meus sonhos de amor e de alegria
Amortalhados na melancolia
Os meus anseios altos de albatroz!

“Nunca mais ! Nunca mais! Corvo vilão
Disseste certo, mas além do mundo
Hei de ter luz e paz em profusão…

“Nunca mais! Nunca mais!” o vento leva
O veredicto trágico e iracundo
À’ s Sodomas perdidas sob a treva!

RIO GRANDE DO NORTE
Ao amigo cleobulo Cortês.

Berço florido da hospitalidade
Potiguarania intrépida e viril
Nenhum tem maior brasilidade
Do que tu, entre as terras do Brasil!!

De Camarão possuis o sangue heril
De Miguelinho a indômita bandade
De severo o caráter varonil
De João Maria a doce caridade

Teus santos, tens poetas, tens heróis
Brilham na luz eterna de mil sóis
Encastoados no teu firmamento!

No sacrário de tua altiva história
Fulguram jóias de rútila glória
Pérolas do mais puro sentimento!