CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES – advogado/veranista

As falésias de Cotovelo constituem o cartão postal que identifica esta maravilhosa praia do litoral sul, sendo caracterizadas por uma formação rochosa descontínua, pois se renova mais adiante, em direção a Natal, com a formação conhecida por ‘barreira do inferno’, assim chamada pelo fato de que, em alto mar, a falésia, refletindo o sol, transparecia num clarão incandescente como se fogo fosse.

Pois bem, essas falésias, na parte mais ao sul, onde se misturam com pedras escuras que quebram as ondas em seu encontro com a areia, estão a correr sério risco, com deslizamentos verificados a cada período invernoso mercê da criminosa retirada da vegetação que as protegiam, após um período de exploração especulativa de argila de boa qualidade para aplicação na construção civil.

É bem verdade que esse fato devastador já foi proibido há algum tempo, mas nada foi feito para garantir a preservação do que restou, sendo visíveis, sem muito esforço, algumas falhas resultantes dos últimos invernos.

Merecem aplausos algumas medidas que a Prefeitura de Parnamirim vem tomando em Cotovelo e Pium, como calçamentos em algumas ruas, pavimentação dos acessos à praia, limpeza urbana regular, padronização da feirinha do Pium, regularização do abastecimento d’água, construção de Ginásio Esportivo e Escola Pública. Contudo, tais providências devem ser somadas a algumas outras, igualmente essenciais, como a complementação do ansiado esgotamento sanitário, uma vez que os canos coletores foram quase integralmente colocados, restando a sua ligação final com igual procedimento que foi efetuado em Pirangi.

A demora nessas medidas agravará a qualidade de vida dos seus habitantes, pois compromete gravemente o lençol freático, o que não mais se concebe na evolução urbana dos dias atuais e numa praia que representa uma autêntica extensão de Natal.

Feitas essas colocações de maior importância, gostaria de lembrar outros pequenos problemas que temos vivenciado nesses mais de vinte anos que residimos na praia, como por exemplo, o levantamento regular da numeração das casas e identificação das ruas, pois vemos verdadeiras aberrações – a minha casa na Rua Parnaíba tem o n. 258 e a casa vizinha tem a numeração 1.996 e a que se segue recebe o n. 440 e assim por diante. Na rua principal é fácil constatar números de dois dígitos em um lado e no outro, números de quatro dígitos.

Por último, a nossa praia se ressente de pelo menos uma praça pública para a confraternização dos moradores, exposições de arte e outros equipamentos de lazer, como um pequeno parque para a criançada, uma vez que o espaço público existente próximo às falésias foi irresponsavelmente liberado para a construção de um restaurante-bar, exatamente onde no passado, estacionavam os ônibus dos visitantes. Também outro grande espaço diante dos edifícios construídos pela Capuche, que está cercado, sem utilidade para o povo.

Esperamos a valiosa visita do Senhor Prefeito à nossa comunidade para uma conversa fraternal e uma confraternização cordial com os seus munícipes, não podendo faltar as presenças de Guga e José Correia, antigos e tradicionais veranistas.