UMA PÁGINA DA EXCELSA POESIA CUBANA DE FÉLIX CONTRERAS. UM POETA QUE AMA O BRASIL E AQUI ESTARÁ, EM AGOSTO VINDOURO.

FÉLIX CONTRERAS
UM POETA QUE DEIXA EXALAR SUA BELEZA INTERIOR
ELE É CUBANO COM UM LONGO CURRÍCULO QUE RESUMO, APENAS, NO GRANDE POETA, ENSAÍSTA, PROMOTOR CULTURAL, JORNALISTA, PESQUISADOR DA MÚSICA POPULAR E TRADICIONAL DE CUBA

MEUS POEMAS BRASILEIROS – FÉLIX CONTRERAS

MENINA DAS RUAS DO RIO DE JANEIRO
Félix Contreras

Doce menina das ruas do Rio
que cada manhã viaja no bonde
têm teus ombros a cor das rosas
que você não tem
onde vais com esse passo incerto?

Doce menina do Rio
lástima esse teu sorriso tão parecido
à alegria da fome
lástima também teus olhos que olham
desde a antiga obscuridade do medo.

MANUEL BANDEIRA
Félix Contreras

Com curiosidade sentimental procurei em Recife
a Manuel Bandeira
e as provincianas rosas que exalam seus poemas
me acompanhavam Verlaine Guimarães Rosa
Vinícius de Morais
Mário de Andrade e o variado Fernando Pessoa
Mas
Manuel Bandeira andava arrumando o mundo
pedindo governos honestos soldados e coronéis
com honradez dos monumentos das praças
ruas sem misérias
mares sem marismas letais águas limpas
mães para as crianças meninas
e manhãs
para a gente que procura vida

A CHUVA NA PARAÍBA
Félix Contreras

A chuva na Paraíba sonha
na profundidade dos olhos
a chuva aqui se esqueceu de tudo nesta terra
tanto como seus políticos de sua gente
gente tão pobre como um punhado de cinzas
é tão breve a chuva aqui como a felicidade do pobre
gente que se põe a chorar todos de uma vez
viria o naufrágio
têm mais pranto nos olhos
que todas as nuvens do céu

FERREIRA GULAR
Félix Contreras

O concreto é o homem
o que sofremos
choramos
sobretudo a parte doente da vida
essa mulher esse homem
que vão pela rua perguntando
à justiça que é o concreto
mas a mão fica muito distante do que pede o sonho
e as estrelas e a lua choram
mas seja o que a vida determine
porque o concreto é o homem

CARTOLA
Félix Contreras

Empreste-me teu violão, irmão Cartola
para cantar a esta garota tão solitária
de quem se enamorou meu coração
que vive tão distante do seu.
Só isso, teu violão para apagar tanta distancia.
Vamos, Cartolinha, desperta
canta para mim essa canção de amor
essa canção que me traz uma nova abolição
para estas mãos presas
que não podem voar
que querem estar
somente com essa garota
que não quer me olhar.

M E L
Félix Contreras

Quando eu acreditava estar sozinho para sempre
Estou atirando em todo o corpo
E meu espelho foi quase amarela
E eu entrar no madrigal completo.
Já não tinha o meu velho rosto verde
E com a tua boca derramando
silêncio em mim, mel
minha menina,
‘Re a pagar-me bem
ser esta intempestiva romântico.

DEDOS NESTE LIVRO
Félix Contreras

Neste artigo, são meus dedos
E aqueles que fizeram a cerâmica
E aqueles que ligar o motor com cuidado.
Neste trabalho
Junto com o meu
São os dedos que fazem a minha casa
Escrever
E as coisas que eu olho
Neste trabalho
Estão também
Dedos
minha habilitação
Mover as mãos
Postado por LÚCIA HELENA às 03:11