FUNDO DA MALA

Tem chegado ao meu ouvido,
E sei que sempre existiu,
Falo de mala sem alça
Nem sei quem a conduziu,
Visto como um mal caráter,
Quem me falou não mentiu.

Quem isso repartiu,
Pode ser itinerante,
Na viagem leva mala,
Bem pequena ou gigante,
Não importa o tamanho,
Bem cuidada é elegante.

Um fato muito ofegante,
Nossa imprensa divulgou,
Com requinte de crueldade,
Sei que o Brasil chorou,
No fundo de três malas,
Um corpo se transportou.

Elize em Marcos atirou,
E fez esquartejamento,
motivada em traição
Esqueceu seu juramento,
No fundo de malas escondeu,
Pedaços do casamento.

Lembro nesse momento,
Os roubos do mensalão,
Muito Dinheiro no fundo,
Vindo de todo escalão,
Não era fundo bancário,
Sim mala com regalão.

Quando abre no salão,
Mala em pleno inverno,
O mofo incomoda a todos,
No fundo ácaro interno,
Umidade em tudo e roupas,
Deixa amarelo o caderno.

Leva no fundo terno,
O que é ruim de fato,
Vai pra quarto de hotel,
Onde se programa o ato,
Assaltante armando plano,
Dando logo o ultimato,

Nessa tecla ainda bato,
Em Goiana Rua estranha ,
Chamada Fundo da Mala,
Grande foi essa façanha,
Chama a atenção de todos,
Pois quem erra ali apanha.

Pra comprar não se faz manha,
Tem mala de todo jeito,
Mala de couro ou plástico,
De papelão é sem conceito,
Se no fundo colocar peso,
Logo apresenta defeito.

Quero falar bem direito,
Que era sempre constante,
Vendedor de ervas na praça,
Juntava adulto e gestante,
Do fundo da mala saia,
Uma cobra ali num instante.

Um rebelde retirante,
No fundo de sua mala
A mãe escondeu a Bíblia,
Entre as roupas fez uma vala,
Na viagem houve um assalto,
Teve revolver e bala.

Quem Tem Cristo não se abala,
Nem vive no desengano,
Revistaram sua mala,
Disse está havendo engano,
Quem usa a Bíblia Sagrada
Usa arma do soberano.

Poetizante BR