CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES – advogado/veranista

Ultrapassada a metade do veraneio, já começam a surgir as preocupações com o início das aulas dos filhos e netos. Os poucos momentos que restam me instigam a apressar as leituras, agora com dois livros de uma só vez, num revezamento de turnos.

Um deles, coordenado por Almir de Carvalho Bueno, também um dos autores, com mais 11 cultores da inteligência, tem por título ‘Revisitando a História do Rio Grande do Norte’, editado pela EDUFRN, representa mais um valioso resgate da nossa memória histórica, trazendo à tona fatos de um passado remoto, ainda da civilização indígena até a modernização, caminhando pela secularização urbana do tempo que encerrou o segundo milênio e, ainda, os ideais políticos, a educação, a religião, a natureza,os mitos e o declínio da vida rural do Seridó.

O outro é a obra ‘O Silêncio de Deus’, da autoria de Francisco de Assis Câmara, na qual encontrei um trabalho exuberante de religião e filosofia, onde o autor mostra a sua erudição e nos obriga a reclamar a demora em oferecer o trabalho, num verdadeiro “Silêncio de Assis Câmara”, somente agora liberando o que poderia, há mais tempo, ter sido a bússola apontando o norte do mundo e da vida para os jovens intelectuais.

A Introdução do livro já representa um destaque da obra, pela concisão, a partir da indignação do Papa Bento XVI quando em sua visita ao campo de Auschwitz, desabafou: “Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Como pôde tolerar este excesso de destruição, esse triunfo do Mal?”.

Em verdade, a obra de Assis não é de condenação, mas de reflexão, como ele mesmo proclama: “Assim construí meus versos, uma reflexão sobre Deus, seus componentes absolutos (o Bem, a Liberdade, a Beleza, a Justiça, a Verdade) e de dúvida (o Mal no mundo). Uma reflexão sobre a vida, na unidade de sua complexidade ou, se quiserem, na complexidade de sua unidade.”

Numa primeira parte oferta o seu labor de forma versificada para, numa segunda parte apresentar uma explicação – a prosa dos versos, complementando o livro com o texto integral do discurso de Sua Santidade, inspirador do trabalho.
Fico a pensar como um livro com tal conteúdo não esteja na lista dos mais vendidos, mas figure entre certas banalidades difundidas nesta nossa província, ainda com uma cultura a exigir melhora.
Fica aqui o meu desafio aos bons leitores, e de coisas boas!