Por Anchieta Fernandes (*)

Este livro de Falves foi mais um trabalho com Edições Suspense, que publicou a revista “ Criação” e contribuiu em 1984 à continuação da Vanguarda natalense. Trata-se de um livro semiótico, onde a visualidade não é a da representação em fotos ou desenhos de pessoas ou paisagens, e sim a da representação dos signos básicos, linhas, cículos, cores – onde o teor político está naquele “ Z de Zuástica transpassando os signos”. A página de texto de orientação indica para o leitor/cocriador: folhas soltas – proporcionando probabilidades criativas. Colecionar. Manipular. Escolher a ordem de paginação segundo sua Lógica ( tomar como base a última página, única fixa).
Este foi o segundo livro que Falves publicou sem ligação a publicações coletivas (pois Falves teve muitos poemas inseridos em revistas, envelopes, etc) e definido mesmo como livro, e não apenas um cartão ou folheto/revista. O primeiro foi “ Elementos de Semiótica”, lançado em janeiro de 1983.
Assim, aos poucos, está nascendo a semente editorial de uma visão panorâmica da obra em progresso de Falves Silva, que virá afirmar para colecionadores a validade do trabalho criativo deste  operário de signos gráficos,  de imensa importância não somente para a bibliografia da Vanguarda norte-rio-grandense mas para a bibliografia da Vanguarda universal. Falves, a exemplo de um Wlademir Dias Pino, pesquisa a geometrização gráfica como metacódigo, apelando para a própria fisicidade do ato de ler/decodificar as formas geométricas que nos envolvem no cotidiano. No seu livro/poema “ Inter Signos” o leitor tem a opção de escolher a sua própria direção de leitura, a altura e a densidade de linhas que pode acrescentar, a cor que melhor diga à sua sensibilidade visual, em semântica própria.
O livro é dedicado, dentre outros (agradeço a inclusão de meu nome) à memória de Aléxis Gurgel, jornalista que muito contribuiu para a divulgação da Vanguarda.

(*) José de ANCHIETA FERNANDES Pimenta é um dos fundadores do Poema Processo e crítico de arte.