Eduardo Gosson

Nos albores do século XX, a situação na Europa era caótica, a insatisfação era geral, a crise estava agravada.

Em 1917, houve um acontecimento que mudou radicalmente as estruturas sociais então vigentes: a “Revolução de Outubro”. E dentro de todas essas confusões, nasceram movimentos literários também radicais. A literatura da época não satisfazia mais as necessidades sociais. E para chegarmos ao Modernismo, veremos alguns conceitos de literatura e as principais correntes de ISMO.

A literatura é no homem aquela vocação misteriosa e imprevista condicionada por mil elementos exteriores e íntimos mas desabrochada pelo mistério do espírito que sopra onde quer”. (Tristão de Athayde).
“A literatura  surge onde há  um  povo  que  vive  e  sente’’.  (Afrânio  Coutinho).

Agora as correntes:

O FUTURISMO

O Futurismo foi idealizado por Filippo Tommasio Marinetti que, em 22 de fevereiro de 1909, assinou um manifesto, no “Le Figaro”, de Paris. Eis alguns itens propostos no manifesto:

“O amor ao perigo, o hábito da energia, a temeridade; a abominação do passado; o canto das estações de veículos, as fábricas, as locomotivas, os aeroplanos, os navios a vapor”. Houve uma série muito grande de manifestos, porém, o mais importante foi o “Manifesto Técnico de Literatura Futurista”, de 11 de março de 1912, Milão. Eis as propostas:

“A destruição da sintaxe, com  substantivos dispersos ao acaso; abolição do advérbio; que cada substantivo vem imediatamente seguido de outro analógico: homem-torpedeiro, multidão-ressaca; substituição dos sinais tradicionais de pontuação por signos matemáticos e pelos sinais ,musicais”.

Convém notar que, apesar das invocações estéticas, o Futurismo serviu política e ideologicamente  ao Fascismo,  chegando ao ponto de Marinetti se engajar voluntariamente nas forças invasoras de Mussoline.

O CUBISMO
O Cubismo caracterizou-se mais nas artes plásticas, porém, deixou alguns traços na literatura.

“O termo Cubismo foi logo aplicado a literatura, graças, sobretudo, a influência que exerceram na forma da nova estética o referido Apollinaire e mais Max Jacob, Maurice Raynal e outros”. (Domício P.  Filho).
Eis alguns traços do estilo:

“A obra de arte deve bastar-se a si mesma. Eliminação do anedótico e do descritivo; supressão da lógica aparente; preocupação com o tempo presente”. (Domício P. Filho).

O DADAÍSMO
O idealizador foi Tristan Tzara, que fez o 1º Manifesto a 14 de julho de 1916 em Zurich.

Eis as características:
“É, em princípio, uma tentativa de demolição; exalta a liberdade total de criação; tenta a criação de uma linguagem totalmente nova e inusitada; admite que a arte não necessite ser compreensível: pode reduzir-se a uma gíria de iniciados”.

Essa corrente teve profunda repercussão  no exterior. Existem livros, revistas, congresso, onde poderemos situá-los mais minuciosamente.

O SURREALISMO
Seu chefe principal foi André Breton. É uma arte difícil de ser compreendida e não nos podemos entender nesse artigo, mas mostraremos as características principais: “desejo de redenção  psicológica, social e universal do ser humano, ilogismo, valorização do inconsciente, automatismo verbal e escrito, modificação das estruturas da realidade, emprego de imagem liberada, humor negro”. (Domício P. Filho).

Aqui, no Brasil, alguns jovens intelectuais já pressentiram agitação. Na livraria  de Jacinto da Silva, era de costume reunirem-se  jovens artistas  e, durante uma exposição de pintura de Di Cavalcanti, começa a caracterizar-se a idéia de uma Semana de Arte Moderna.

Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram as figuras de frente do movimento. E no ano de 1922, realiza-se no Teatro Municipal de São Paulo, a 1ª Semana de Arte Moderna. Durante esse período, houve recitais, conferências, onde o escritor Graça Aranha  falou sobre “Emoção Estética na Arte Moderna”; concertos com a participação de Villa-Lobos, declamação, coreografia, exposição de artes plásticas com a participação de Victor Brecheret, na escultura; Anita Malfati, na pintura. A princípio o público não entendeu, pois estava preso à tradição. Alguns intelectuais passadistas escandalizaram-na  nos jornais onde tinham acesso. Mas, os jovens artistas ficaram na sua: sabiam  que era preciso mudar. Uma das causas que fizeram a Semana de Arte Moderna torna-se entendível alguns anos, ao público, foi a crítica violenta de Monteiro Lobato.

Depois  de realizada a Semana de Arte Moderna, apareceram várias correntes, das quais citaremos sumariamente:

Corrente Dinamista : Rio de Janeiro  - representante principal:Graça  Aranha.
Corrente Primitivista
: São Paulo – São Paulo –Oswald  de Andrade.
Corrente Nacionalista
: São Paulo – Menotti Del Picchia.
Corrente Espiritualista
: Rio de Janeiro – Tasso da Silveira, Cecília Meireles. Essa corrente foi a menos radical, pois queria que houvesse transformações, mas que não rompesse totalmente com o passado.
Corrente Desvairista
– Mário de Andrade. Eis o “Prefácio Interessantíssimo” (apenas um extrato):
“Leitor:
Está fundado o Desvairismo.

Este prefácio apesar de interessante, inútil. Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Par quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou”.

( In jornal Equipe, Ano I – nº 2 – Abril/1976 – págs. 8 e 9- Natal/RN.