Eulício Farias de Lacerda nasceu em Piancó (PB), em 20 de julho de 1925 e faleceu em Natal, em 11 de agosto de 1996, filho de Sebastião da Silva Lacerda e Maria Farias de Lacerda. Fez os primeiros estudos no interior da Paraíba, sob a orientação de uma irmã, professora primária. Ingressou no Colégio Arquidiocesano, de Patos, interrompendo os estudos por dificuldades financeiras.

Trabalhou no comércio e em escolas de sua cidade. Em 1952, mudou-se para Natal, onde fez o curso de Letras e se tornou conhecido como professor de Teoria de Literatura. Foi bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, no ano de 1970, sob a orientação do professor Jacinto do Prado Coelho. Casou-se com Maria Auxiliadora Macedo de Lacerda, de conhecida família de Areia Branca, com quem teve três filhos.

Eulício demorou a estrear na literatura. Apenas em 1973 publicou o primeiro livro – O Rio da noite verde – que obteve o prêmio “ Câmara Cascudo”. O escritor filia-se a uma vertente literária contemporâne que tenta estabelecer uma articulação entre uma paisagem regional e outra universal, e entre a literatura erudita e a popular, na construção de um regionalismo crítico. Seus personagens vivem os conflitos existenciais com a mesma dimensão com que o fizeram personagens clássico da literatura. Ao lado de uma preocupação estética, existe, em sua ficção, a denúncia das injustiças vividas pelo homem nordestino.

As formas literárias preferidas são o conto, a novela e o romance e, nelas, Eulício deixa transparecer sua preocupação com a linguagem, numa clara revelação das influências que mais o marcaram: Guimarães Rosa, no Brasil, e James Joyce, no exterior. Intelectual de sólida base humanística, apesar de ter vivido a maior parte de sua vida na província, estava sempre atento às mais novas tendências da crítica literária. Como filólogo, publicou estudos sobre a sintaxe da língua portuguesa. Seus trabalhos acadêmicos estão publicados em revistas especializadas, como a Revista Brasileira de Filologia, a Revista Brasiliense, Alpha, Ficção, e Tempo Universitário. Deixou inédito o romance A terceira manhã.

OBRAS PUBLICADAS:

O rio da noite verde. Rio de Janeiro; Leitura, 1973; 2ed. Natal: Trapiá, 1992. (Romance)

As filhas do Arco-íris.São Paulo: Ática; Natal: Fundação José Augusto, 1980. (Romance)

Os deserdados da chuva. Natal: Editora Universitária, 1981. (Contos)

O dia em que a coluna passou. Rio de Janeiro: Cátedra; Natal: Fundação José Augusto, 1982. (Novela)

O galope do cavalo na noite. Natal: Clima, 1988. ( Novela)

Saci pau-brasil. Natal: CCHLA/UFRN, 1992. (Romance)

Para a antologia, foram selecionados um conto de Os deserdados da chuva e o primeiro capítulo de As filhas do arco-íris.