FANTASMIA

Pelas ermas veredas do oiteiro,
surge a visagem dum tempo perdido.
Ossos do engenho brotam no aceiro
do canavial ao vento retangido.

A lua assombra o vulto do bueiro,
a casa-grande, o pau d?arco florido...
Soa um carro-de-bois, fanho e ronceiro,
maldizendo arrepios no gemido.

Vozes sem corpo xingam a burrama,
ecoam risadagens de bagaço;
na ruinosa capela, um sino chama...

Resta, num vago cheiro de melaço,
algum doce acalanto de mucama
ninando almas jazidas nesse espaço.


JORNADA

O sol passou
sobre dunas
e lagunas.
Pastoreou
nuvens e escunas,
tangendo o dia
na calmaria
no azul afora.
Na ave-maria,
espreguiçou
restos de hora...
E descambou,
ainda agora,
seus carmins
nos confins
onde mora.
Mas pincelou
cores de estio,
sobre as croas
e gamboas
do além-rio...

Bartolomeu
Correia de Melo