Por Eduardo Gosson (*)

              Jamyles Gosson. Nasceu em Maranguape/CE em 17.03.1931 e faleceu em Natal/RN , no dia 29.07.2011, filha de Antônio José Gosson e Sofia  Hamaney Gosson. Figura central em minha vida criou-me;  minha mãe biológica - Maria Dantas de Araújo – tinha  problemas mentais (mais adiante falarei sobre ela) e não pôde cumprir a sua tarefa.

               Aos dois anos comecei a freqüentar semanalmente à casa dos meus avôs  e fui ficando e ficando... e  fiquei. Esta senhora praticou o mandamento cristão de amar os outros conforme está nos Evangelhos. Amou-nos em três  dimensões: 1. Foi tia-mãe; 2. Criou os meus dois filhos; e 3. Atualmente criava a minha neta Rebeca (mais na frente falarei desse amor por minha neta). Ninguém amou uma criança mais do que ela.

              Lembro-me dela na loja-casa do meu avô, da Avenida Rio Branco, conhecido como Armarinho São Francisco.  ( Tempos bons: colocavam-se  cadeiras  na calçada e, muitas vezes, lá pela madrugada é quando íamos dormir). Lá tinha um quadro-negro onde aprendi as primeiras lições por um método  não convencional: quando  errava tinha palmatória. Quando a matéria era Matemática eu estava ferrado: apanhava muito. Deu-me a régua e o compasso existencial.

            Quando meus filhos Fausto e Thiago (gêmeos univitelinos) nasceram ela começou a transferir o seu amor para os dois. E amou-os incondicionalmente até que surgiu Rebeca – minha primeira neta. Logo os carinhos e mimos foram transferidos. A presença de Rebeca deu-lhe uma sobrevida. Após o falecimento de sua irmã Hulimase, viveu mais dez anos. Certa vez a feira estava no fim e só tinha uma laranja em casa;  precisava se alimentar nas horas certas em face da diabetes. Recusou-se alegando que aquela laranja era para quando Rebeca chegasse da escola. Outra imagem: no domingo à noite quando meu filho Thiago voltava do Culto com sua esposa e filha (aderiram ao Protestantismo), ela ficava na frente da casa da Rua Seridó com a sua bengala: “— Cadê a minha Rebeca que não chega?”  Não tinha simpatia pelo modo de ser protestante. Preferiu ficar no Catolicismo. Sua perda foi imensa e, até hoje, Rebeca não absorveu. Sempre chama pela tia-bisavó. Recentemente, quando íamos ao supermercado ela começou a dizer que estava com saudade da titia e seus olhos lacrimejavam. Imediatamente parei o carro no estacionamento e, juntos, começamos a chorar. Para reverenciar a sua memória, escrevi este poema:

JAMYLES

Tu foste

O nosso sol

Neste mundo

Sem amor,

Sem poesia,

Sem esperança.

De velas cegas

E de vazio esquecimento.

 

Os pássaros, agora,

executam uma Sinfonia:

“Jamyles

mimosa”

 

“Jamyles

 mimosa”

Anunciando-te

Ao Reino de Deus.

 

                    Jamile em árabe, meu querido leitor, significa mimosa: eu não sabia que doía tanto!

 

   (*) Escritor e poeta .Preside a União Brasileira de Escritores – UBE/RN