Antônio, Sofia, Hulimase, José, Jamyles, Elias, Francisco e Jorge

Por: Walter Cid

Por alguns poucos anos, na década de 50 tive a imensa satisfação da convivência com essa bela família. Aos 17 anos, precisamente em 12 de julho de 1953, em decorrência da transferência de meu pai para servir em Salvador, Bahia (ele, funcionário público junto ao MF), fui definitivamente afastado dessa linda família, não que fosse perder o contato, pois nas minhas breves visitas a Natal os revi. Numa delas conheci o jovem Eduardo, que me foi apresentado por suas tias.

Nossa amizade começou com Elias, um jovem de idade igual, capaz de acompanhar o amigo nas muitas brincadeiras como pular corda, jogos de futebol e vôlei na calçada da Avenida Rio Branco, brincadeiras de Tarzan e capa e espada, esses eram os filmes da época e até nas brigas de rua (na época comum), nas primeiras andanças em casas noturnas e sabe mais Deus o que. Quando de seu falecimento, de certa forma prematura, doeu em mim, foi o primeiro grande amigo que se ia.

Numa certa feita, sem bola para jogar futebol na calçada da avenida o Elias fez um pinto (como se dizia na época) de uma meia nova da loja e das sobras de panos dos afazeres de Hulimase e de minha mãe que também era costureira, surgiu a bola que tanto necessitávamos (chamada bola de meia, a bola de couro ou borracha eram caras para nossos pais).

Chegamos a manter correspondência por algum tempo. Só isto já é motivo de saudades.

A cordialidade do Sr. Antônio e o carinho da D. Sofia, em especial comigo, eram-me realmente importantes. Aos domingos das refeições, sempre eram guardados “charutos, quibes e outras iguarias libanesas” para minha pessoa. Sensacional!

Lembro-me que o Sr. Antônio montou uma verdadeira fábrica de cerveja dentro de casa, produziu em quantidade creio apenas doméstica e foi dessa cerveja que pela primeira vez saboreei, me tornei, um cervejeiro! Era uma cerveja servida com colarinho, como se diz, com bastante espuma e sabor inigualável.

Hulimase, uma pessoa muito especial, fez da máquina de costura sua atividade, sempre solicita a ajudar a todos, a respeitávamos como uma mãe Foi de suas mãos, que recebi o primeiro sanduiche com ”cebola, tomate e alface”, passei a gostar por toda vida.

Jamyles, chegando sempre perto e muito presente, em algumas ocasiões organizava uma verdadeira escolinha, onde aprendíamos a dançar, valsa, bolero, samba e até tango, tudo que na ocasião eram moda nas festas do Aero Clube (no Tirol) e do América, AABB, ACEM e outras instituições. Lembro-me de alguns amigos que frequentavam... Eu, minhas irmãs: Dione, Marlene e Geni. Gilvanete, Zezé, Violeta, Helion Moura, Divanilton, Omar Guerreiro, Lupécio, Aildo, Eunice e Helione, Irapuan, muitos outros! Os Farkatt, Jamil, Vilma, Guilherme e Serquiz, este, com fortes sentimentos poéticos, ainda guardo poesias de sua autoria. Por duas vezes me visitou em Salvador, na companhia do Aildo Gibson, meu saudoso cunhado, um dos seus, grandes amigos, também de seus pais e da querida Mantura.

Saudades do Sr.Luiz e de D. Adélia, esta chegou a nos visitar em passagem por Salvador, quando da perda creio de uma filha, na viagem. Abro um parêntese para falar da amizade do Sr. Luiz, com todos os jovens, sempre solicito a resolver nossos problemas, até mesmo de doenças, adquiridas na rua, tinha um potencial creio da experiência própria, de vida, extraordinário.

José (Zé Gosson), um atleta, de pequena estatura, mas, o melhor levantador em vôlei, jogando pela melhor equipe de Natal, na época, o CENTRO, lembro-me do Jair Navarro e Deusdeth Matoso que jogavam no mesmo time; apaixonado pelo vôlei, os três sempre foram inspiração para meu comportamento em campo. Recordo que o Zé era muito disputado pelas jovens natalenses e estudava Direito em Alagoas. Mesmo sendo mais velho, tinha uma boa aproximação conosco.

Francisco, muito compenetrado, com seu sinalzinho, de certo modo vaidoso, muito estudioso e sempre solicito a nos ensinar, quando dos nossos afazeres escolares, na época em abundancia. O Jorge ainda garoto, amigo de todos.

Hoje após ler as CRÔNICAS DA FAMÍLIA GOSSON, por Eduardo Gosson, tomei conhecimento de que todos já saíram para uma nova vida, deu-me imensa saudade e resolvi escrever essas poucas linhas sobre essa família que me foi de real importância na vida, um exemplo de união, de respeito ao próximo, de confraternização muito sincera e de muito amor.

 

Walter Luiz Cid do Nascimento

Administrador Empresa/Contabilista/Professor/Aposentado

Nasceu em Natal, 22.0.1.1936

Residente: Rua Luis Anselmo, 1188 - Apto 203

Ed. Resid. Santa Isabel – Luis Anselmo

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