A sempre fértil literatura potiguar acaba de registrar mais um nascimento. Aliás, trata-se do nascimento no gênero das crônicas de uma poeta que já vem a algum tempo nos brindando com sua poesia comprometida, engajada, anunciadora e denunciadora das nossas ações, tantas vezes alheias ao humanismo e a solidariedade, envolvidos que estamos com o corre-corre das horas, dos dias, meses e anos em luta feroz pela sobrevivência.
Pois assim mesmo e diante disso, somos convidados à reflexão. Uma reflexão no sentido mais amplo da palavra. E através de uma escrita atenta e cuidadosa, na qual somos pouco a pouco envolvidos, e que nos fala com a maturidade de quem descobriu nos atos mais simples a grandeza de uma atitude de solidariedade humana.
Nas andanças, caminhadas e passeios, refletimos nas suas crônicas. Somos colocados diante de nós mesmos, a nos perguntar: quando eu tomei uma atitude como essas? Quando um abraço me levou tão longe, ao encontro dos meus que aqui estão ou que já partiram? Que força tem um abraço sincero? Se há uma reflexão tão profundamente pessoal, como não refletir por um momento, na  situação de tantas mulheres que diariamente sofrem as mazelas de uma cultura de desvalorização do papel  da mulher? Como evitar em nós a repercussão dos fatos e atos que se globalizaram na velocidade das novas tecnologias e sua força midiática? E perguntar-nos? Como eu ficaria hoje sem meu celular? Ficaria?
Continuaria aqui levantando muitas outras questões. Pois é assim que nos sentimos ao ler as Cotidianas, de Rizolete Fernandes. Provocados a refletir. Ela não nos questiona, mais sabe nos envolver com uma escrita madura e talentosa. Passeia por entre pessoas e fatos, que marcam sua vida e a vida de cada leitor, como uma ida ao cinema, um passeio no calçadão de Ponta Negra, como tantos outros pelo Brasil afora, uma viagem ao interior do estado e a grandeza do Perdão de um homem do campo; o envolvimento nas lutas sociais em um sonho permanente de uma sociedade mais justa. São as nossas histórias narradas sem retoques ou enfeites, porém, com todo talento de uma cronista que reafirma a qualidade da nossa literatura.

Chumbo Pinheiro
Colaborador do blog.