(A QUESTÃO DAS  DROGAS)

Por Eduardo Gosson(1)

Na semana passada no Combate às Trevas – II abordei a realidade dos três hospitais que prestam assistência psiquiátrica aos doentes mentais e aos dependentes químicos: Hospital João Machado, Casa de Saúde Natal e Clínica Santa Maria, oportunidade em que fiz um diagnóstico de cada um. Entretanto, na Tribuna do Norte desta quarta-feira, 15 de outubro, em matéria assinada pelo jornalista Ricardo Rodrigues (2) saiu um reportagem de uma página que mostra uma realidade dramática: pacientes deitados em colchões espalhados pelo chão da enfermaria; uma equipe reduzida de profissionais 02 médicos, uma psicóloga, uma assistente social, cinco técnicos de enfermagem e uma terapeuta ocupacional. A seguir transcrevo a matéria. Contra fatos não há argumentos:

Pacientes são acomodados em colchões, no chão do OS

“Somente na manhã desta terça-feira, 14, pelo menos 60 pacientes eram atendidos no Pronto-Socorro Psiquiátrico. Na ala masculina, com capacidade para acomodação de 14 homens, o número de profissionais da Saúde era insuficiente para atender os 24 pacientes que aguardavam medicação, avaliação médica ou encaminhamento para internação. (Sublinhados e Comentários nossos : situação de superlotação).Muitos deles, por falta de camas, deitavam-se em colchões no chão, sem lençóis cobrindo os colchonetes. Alguns deles, em situação de surto psicótico mais grave, gritavam em decorrência do delírio e o médico responsável pelo setor afirmava que a demanda era muito alta para poucos profissionais de plantão.

“Num ambiente com muita gente aumenta a dificuldade de atendimento. Há riscos de conflitos entre eles, entrada de drogas na unidade e piora a assistência médica”, comentou Felipe Teodoro(3), psiquiatra chefe do Pronto-Socorro. Na escala de ontem, para atender os 60 pacientes, o hospital dispunha de um médico assistente, um médico plantonista, uma assistente social, um enfermeiro, uma psicóloga, cinco técnicos de enfermagem e uma terapeuta ocupacional. (necessidade de Concurso Público) “Os pacientes ficam acumulados no Pronto-Socorro pois não há vagas nas enfermarias”, lamentou Teodoro.

Para a diretora-geral da unidade, o Pronto-Socorro necessita de uma reforma urgente para que se torne “um local mais digno para os pacientes”. “Existe, inclusive, um projeto de reforma que saiu da Sesap para a Secretaria de Infraestrutura e, até agora, nada foi feito”, assegurou Mirna Chaves(4) Em relação ao corpo médico, a diretora destacou que o déficit de profissionais é grande e são necessários pelo menos mais cinco psiquiatras e 15 técnicos de enfermagem para amenizar os problemas no atendimento.

Reunião

O titular da Sesap, Luiz Roberto Fonseca,(5) afirmou que reconhece as dificuldades do Hospital João Machado e, para discutir a situação do complexo de saúde mental, realizará hoje uma reunião com a direção da unidade e com representantes da Câmara Técnica da Secretaria, além de membros do Ministério Público Estadual. Ele destacou, contudo, que o Governo do Estado não tem condições de arcar com 100% do atendimento psiquiátrico e cobrou que o Município de Natal cumpra sua parte na gestão tripartite oferecendo o ideal atendimento no Centros de Assistência Psicossocial (Caps), principalmente aqueles com perfil de tratamento para Álcool e Drogas (Caps – AD).

(Comentário: o famoso jogo de empurra).

“O Governo muito pouco irá fazer sozinho. Sem retaguarda e resolutividade por parte dos Municípios é difícil resolver a situação”, destacou o secretário. O secretário municipal de Saúde, Cipriano Maia de Vasconcelos,(06) foi procurado para comentar o caso. Ele, porém, não atendeu ou retornou as tentativas de contato telefônico. Além disso, não se encontrava na sede da SMS na tarde de ontem.

Luiz Roberto Fonseca disse, ainda, que um relatório será entregue à governadora Rosalba Ciarlini apontando a necessidade de convocação de profissionais da Saúde, principalmente psiquiatras, mas não detalhou como a nova ala de clínica médica será humanamente estruturada. Ele previu que o espaço esteja completamente concluído em 15 dias. Entretanto, o limite de responsabilidade fiscal impede que novos profissionais sejam contratados.”

(Comentário: quando é para melhorar  colocam a  lei de responsabilidade fiscal como empecilho. Quando  categorias organizadas de funcionários pressionam por aumento ninguém fala desta lei. Dois pesos e duas medidas”.)

QUEM É QUEM NESTA HISTÓRIA:

    Eduardo Gosson é escritor.  Preside a União Brasileira de Escritores -  UBE/RN

    Ricardo Rodrigues é jornalista da Tribuna do Norte

    Felipe Teodoro é médico  psiquiatra e chefe do Pronto Socorro do HJM

    Mirna Chaves é medica psiquiatra e Diretora Geral do HJM

    Luiz Roberto Fonseca é Secretário Estadual da Saúde do RN

    Cipriano  Maia de Vasconcelos é Secretário Municipal de Saúde de Natal