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TN – 04.05.2013

Yuno Silva - Repórter

O gosto pela leitura é um hábito que depende de estímulo, que se adquire em casa e/ou na escola e a forma de abordar um novo potencial leitor é fundamental para inserir a literatura em sua rotina. Independente do gênero, se poesia, prosa ou conto, o importante é apresentar e encarar a leitura como uma atividade prazerosa, que potencializa a criatividade e abre possibilidades para se construir um pensamento crítico diante da sociedade. Foi a partir desses princípios que surgiu a 1ª Oficina Potiguar de Contos, projeto aplicado em quatro municípios do Rio Grande do Norte junto a estudantes e professores da rede municipal de ensino como complemento curricular.

cedidaEstudantes participam de oficinas de contos com objetivo de melhorar a produção de textos, a leitura e a narrativa literáriaEstudantes participam de oficinas de contos com objetivo de melhorar a produção de textos, a leitura e a narrativa literária


A meta é fazer com que cerca de 240 alunos do 6º ao 9º ano matriculados em escolas de Macaíba, São Gonçalo do Amarante, São José de Mipibu e Bom Jesus, mergulhem no universo dos contos através de aulas teóricas e práticas durante curso intensivo com 15 horas de duração. As oficinas são aplicadas em turno inverso ao das aulas regulares, em parceria com professores de português e literatura, para alunos interessados. Como resultado das oficinas, será publicado um livro reunindo os melhores textos produzidos pelos adolescentes ao longo do projeto.

A estimativa para lançamento da obra coletiva é no mês de agosto, tendo toda a tiragem (600 exemplares) distribuída entre as escolas participantes e bibliotecas públicas do Estado – os contos serão selecionados por uma comissão formada pelos oficineiros, professores e pedagogos. A 1ª Oficina Potiguar de Contos foi contemplada no Programa Banco do Nordeste de Cultura 2012 (BNB/BNDES).

A dupla de oficineiros Míriam Medeiros de Araújo e José Alves já passaram por Macaíba, em março, e até quarta-feira (8) trabalham com estudantes de São Gonçalo do Amarante; as próximas etapas serão realizadas nos próximos 45 dias em Macaíba e Bom Jesus. “A receptividade tem superado  as expectativas”, comemora José Correia Torres Neto. Ele explicou que criou a Oficina Potiguar de Contos após ter participado de uma iniciativa semelhante em Parnamirim: “Na oportunidade o foco era a poesia, mas percebi que, apesar de envolver muitos alunos, poderia tornar a metodologia mais dinâmica para alcançar melhores resultados”.

O projeto também contemplou a aquisição de livros de contos, utilizados como suporte pedagógico durante as oficinas. “Adotamos livros de autores locais, nacionais e estrangeiros, para apresentar aos alunos os diferentes estilos de contos antes de partirmos para a fase da produção propriamente dita dos textos”, esclarece.

Contexto local

A professora Míriam Medeiros ressaltou a “experiência maravilhosa” de ministrar as oficinas: “Acredito que o resultado seja visível com o crescimento do interesse pela leitura e produção de textos”. Segundo a educadora, em Macaíba a produção de textos obteve resultados “bastantes interessantes”, com destaque para contos sobre histórias de vida de pessoas da localidade. “Por lá enfatizamos a obra de Auta de Souza, e agora em São Gonçalo ressaltamos a importância da romanceira Dona Militana para a Cultura local, regional e nacional. Os alunos estão interessados e participativos”, festeja.

O oficineiro José Alves explica que antes dos alunos adentrarem no exercício de escrever, eles são devidamente apresentados a autores como Machado de Assis, Dalton Trevisan e Mia Couto, entre outros autores que têm textos famosos nesse gênero literário.

Embora os oficineiros percebam certas dificuldades na escrita, de um modo geral, a empolgação dos alunos é contagiante: “A gente percebe as dificuldades, mas a vontade de aprender e as boas ideias compensam parte dessa deficiência. Eles (os estudantes) ficam encantados com a possibilidade de participarem de um livro”, disse Alves. Para Míriam, a criança que sente vontade de ler, automaticamente também sente a necessidade de expressar através da escrita. “Sem dúvida nenhuma a leitura faz com que qualquer indivíduo se torne mais crítico, pois ele amplia seu conhecimento de mundo e o espaço no qual  está inserido, seus direitos, seus deveres, dentre outras coisas, e dessa forma ele vai construindo um pensamento”, acredita.