Jurandyr Navarro

Do Conselho Estadual de Cultura

 

Jovem inteligente, exibia como marca do caráter, a cordialidade. Acompanhava o genitor em suas andanças pelos espaços culturais da cidade, ajudando-o no desempenho do costumeiro labor.

Sempre solícito em atender os circunstantes no ofício a ele determinado. A linguagem facial ocultava o sofrimento arraigado na alma. Envolto estava ele pelo véu da tristeza, sem, contudo, externá-la.

O vício entorpecera-lhe o espirito em plena mocidade, cujo vigor deveria ser radiante e cheio de esperanças. O insidioso mal, causado pelo veneno da droga, negou-lhe as venturas de uma existência feliz.

Tive a grata satisfação de conhecê-lo quando acompanhava o pai, Eduardo Gosson, nas arrumações do Memorial da Justiça, “Vicente de Lemos”, mais ou menos  há três anos decorridos, ocasiões que com ele conversava. Depois, voltei a vê-lo em eventos da UBE – União Brasileira de Escritores – RN, instituição cultural presidida pelo citado genitor, continuando sendo portador das mesmas características de sociabilidade próprios de sua personalidade. O irmão Thiago o auxiliava nos encargos de sua responsabilidade, sob a orientação paterna, já afeito a lidar com o instrumental de ordem cultural: agendas, entrevistas, propagandas e publicações.

Como terapia, o pai mantinha-o ocupado e acompanhante de suas realizações.

Eduardo Gosson, todos sabem, desde cedo foi atraido pelas coisas do pensamento.

Elegeu para seus escrtitos as formas  literárias da prosa e do verso. Desses gênero, editou várias obras aclamandas pelo público leitor. Para esse público ofertou ele dois livros de real valor para os que lidam com a nossa justiça, intitulados: “Sociedade e Justiça – História do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte” e “Ministros Potiguares”. Este último, retrata a imagem dos nossos magistrados que tiveram assento nos Tribunais Superiores, desde o Supremo Tribunal de Justiça, ao tempo do Império, incluindo o Superior Tribunal de Justiça, o do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal.

Para obter dados concisos, teve o autor de pesquisá-los no recinto da nossa colenda Corte de Justiça.

Na outra obra, também de suma importância, ele compilou detalhes da memória judiciária estatal.

São dois livros de teor inéditos da literatura da judicatura potiguar.

Surpreendente é que o arguto e competente pesquisador não ser do ramo jurídico. A sua formação universitária é a Sociologia, embora haja correlação como ciência auxiliar do Direito.

A razão da sua devoção pela causa da justiça, é por ele ser funcionário do poder judicante. Por tal, longe de causar surpresa, ter sido ele o idealizador do Memorial da Justiça, marco importante da nossa cultura judiciária.

E o filho Fausto acompanhou de perto esse trabalho perseverante e cheio de idealismo, por causa tão elevada, do pai que tanto se orgulhava.

O exemplo paterno engrandeceu de alguma forma a vida do filho. Seguiria ele a trajetória de vida dedicada à cultura?

Tive ciência de sua morte prematura, de surpresa. O ardor da juventude não suportou ao golpe paralizante, o contínuo desgaste de um organismo, em vida envenenado por substância nociva.

Completara vinte e oito anos de idade, quando a vida começa a vislumbrar a fase adulta, cheia de sonhos e naturais promessas do bem viver. O dia vinte e seis de maio marcou o primeiro aniversário do seu falecimento. Na árvore genealógica da sua família, representou um galho, cuja seiva desapareceu, deixando de dar flores e frutos. Flores de esperanças e frutos de realizações, as mais promissoras.

O jovem Fausto ficou impossibilitado de fazer qualquer escolha, pois fora subtraído da vida, por ter sido vítima de um meio social que menosprezou o ensino da religião, na infância e na adolescência, nas sals de aulas e também do civismo.

Uma sociedade destituída da crença em Deus e sem amor à pátria, cria uma família indefesa das investiduras do mal. Daí, os escândalos da corrupção, a violência incontrolável e o maléfico das drogas.

Não é essa a imagem repetida, dias e noite, pela televisão?

Fausto Gosson foi mais um mártir desse verdadeiro terrorismo, que continua assaltando a nossa sociedade, outrora tranquila e feliz, quando os moços podiam abirr as janelas de suas casas, pela madrugada, para ouvir o melodioso cantart das serenatas ao luar...