Sempre que solicito ajuda ao meu filho para resolver algum problema na área de informática (anexar arquivos, por exemplo), ele me diz:


- Pai, me desculpe! Mas você é muito burro!


Tenho que me contentar que sou “burro” porque na minha adolescência não existiam celular com bluetooth, TV de plasma ou LED, internet banda larga 3G, computador com câmera embutida, MP3, enfim, não havia nada dessas coisas tecnológicas modernas que existem à disposição, a tempo e a hora para a garotada ficar presa dentro de minúsculos “apertamentos” de até 3 quartos, sendo uma suíte, de no máximo 70 metros quadrados! Basta que o pai ou a mãe aceitem comprá-las. Na minha adolescência, a TV e os rádios eram de válvulas, celular nem se sonhava;  plasma, LED, internet, computador, MP3 eram sonhos praticamente impossíveis!


No passado, por não existirem essas coisas tecnológicas de hoje que tanto prendem as crianças em casa hoje em dia, por causa da violência, pedofilia, estupros etc., tínhamos mais amigos na Escola, falávamos olho-no-olho, brincávamos mais de barra-bandeira, manja-pega, 31 alerta, esconde-esconde,  amarelinha para meninas, bolinhas de gude para meninos, manja, pião, canga-pé; empinar papagaio, tínhamos futebol na rua e tantas outras coisas que criávamos e brincávamos na hora.


Na minha adolescência, tínhamos mais espaços públicos, praças, árvores, festinhas na casa dos amigos aos finais de semana. Se bebidas existiam, eram inofensivas  (leite de tigre, coquetéis de frutas sem álcool, bombom de hortelã dissolvido dento de um litro de água com um pouquinho de álcool); não se falava em drogas e armas; havia uma separação entre moças virgens e não virgens. Não existiam jogos de vídeo que ensinam a dar tiros e violência, as pessoas se cumprimentavam mais, davam bom-dia, eram mais felizes. Na minha adolescência,  tomava benção aos meus pais, coisa que ainda faço hoje,  aos 50 anos.


Hoje meu filho, além de dizer que sou “burro” e eu aceito que ele esteja certo, não pede mais a benção ao dormir se eu não for ao quarto para pedir-lhe; diz “e aí, cara”...  Enfim, nossa juventude, como já ocorria a mais de 4 milhões de anos antes de Cristo, sou forçado a dizer que essa nova geração está perdida mais uma vez! Mas ouso dizer que  essa juventude não poderá assumir nossos destinos amanhã. Todos os jovens mudam com o tempo e alguns amadurecem à medida que estudam mais e aprendem mais sobre as coisas da vida e do mundo!


A culpa é dessa modernidade toda? Acho que não! A culpa é do excesso de liberdades? Acho que tem a ver! Mas não tenho certeza, pois sou apenas um pai querendo entender a mente moderna e tecnológica dos jovens de hoje! Ou seja, sou apenas um pai querendo entender a cabeça tecnológica de um filho! Nada mais que isso!


Uma coisa eu afirmo com certeza: estamos criando uma geração que só fala no MSN com gíria, códigos; que se esconde no anonimato de niks. Ou seja, uma geração com menos amor, com menos brincadeiras sadias!


Ou seja, estamos criando uma geração cibernética que pesquisa tudo na internet, que não interpreta mais textos, que lê pouco...é uma pena!