Por Ivan Maciel de Andrade

Um episódio que aconteceu há tanto tempo que me permite contá-lo. Registrei-o, logo depois, em anotações pessoais que recentemente descobri entre papeis perdidos. Nessa época, eu era Procurador-Geral de Justiça, exercendo minhas funções, portanto, perante o Plenário do Tribunal de Justiça do Estado. Em certa sessão, um dos desembargadores baseou seu voto num parecer de minha autoria e me fez um generoso e imerecido elogio: "Este é um parecer de jurista." Outro desembargador considerou o elogio despropositado. Pediu, então, que o desembargador que me elogiara lesse o parecer em voz alta. Ele leu e, ao final, comentou, voltando-se para o desembargador descontente: “Vossa Excelência não me parece que tenha condições de elaborar um voto com esse grau de segurança, clareza e erudição jurídica.” A partir daí, criou-se uma altercação desagradável a que tive de assistir em silêncio, embora provocada por um simples parecer que eu emitira. Quando pude falar, disse que, sem falsa modéstia, o título de jurista, apesar do agradecimento que devia ao desembargador que a mim, generosamente, o atribuíra, ultrapassava as minhas qualificações, como também o próprio valor do parecer que tinha gerado o lamentável desentendimento entre os ilustres e eminentes desembargadores. Senti, pela sinceridade e veracidade com que falara, que as minhas palavras foram muito bem recebidas. E se restabeleceu a paz...