Por Eduardo Gosson(*)

Dizia o saudoso poeta de Macau, Gilberto Avelino, que “é preciso preservar o sorriso bonito das crianças/pois há tanta beleza em seus olhares”. Hoje, Dia dos Pais, a minha primeira neta Rebeca fez-me o seguinte comentário:

“- Vovô, no céu tem telefone celular?”

“Não, querida. Por quê?”

“Porque estou com muita saudade do meu tio Fausto. Eu preciso falar com ele”.

Como é do conhecimento de todos, perdi o ano passado um filho – Fausto—em condições trágicas, vítima de uma overdose de cocaína. Por isso, meu Deus, tu que és onipotente e onipresente e onisciente atende este telefone de uma garotinha de 9 anos que, rompendo a lógica das coisas, nos leva a um mundo  onde viver  não custa muito ao pensamento e que faz da vida  uma aventura errante. De repente, não mais que de repente.                          

 (*)Poeta, preside a União Brasileira de Escritores – UBE/RN